domingo, 22 de julho de 2012

Evolução vs Design Inteligente

A hipótese do Design Inteligente opõe-se á macroevolução por selecção natural, não aceitando que esta possa ter originado a complexidade irredutivel. Mas será que o pressuposto de complexidade irredutivel está totalmente correcto? Será que retirando uma "peça" o mecanismo perde a função? Ou apenas passa a desempenhar funções diferentes... É certo que os modelos evolucionistas têm sido insuficientes no ao tentar explicar os mecanismos naturais de formação dos flagelos. No entanto são o mais próximo que existe de uma explicação viável. Há um princípio lógico (para quem costuma afirmar que a Teoria Sintética da evolução tem erros de lógica) denominado regra de Ockham (do lógico inglês William de Ockham): "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a mais provavel", a explicação mais simples é a que não inclui a existencia de um criador supercomplexo, pois os processos de génese da vida como a conhecemos não variam muito nas várias explicações, atendendo a que o argumento da complexidade irredutivel é pelo menos em parte refutado até pelo simples senso comum, pois um ser vivo não se "constrói" todo de uma só vez, sendo que os seres vivos que conhecemos tiveram que ser concebido ou evoluir passo a passo, molécula a molécula, célula a célula... A grande diferença é: Selecção natural ou criador supercomplexo? Relativamente á ultima hipótese,  não é necessário que se prove que o criador não existe, mas sim que as pessoas se apercebam de que não há provas da sua existencia e que o criador teria que ser mais complexo do que a criação e do que os processos que desencadeou ou controlou, bem como a sua origem. Para explicarem as modificações e caracteristicas da vida com base na intervenção de um designer inteligente, teriam também que explicar a origem supercomplexa do designer.
Voltando á complexidade irredutivel: será que os flagelos são irredutivelmente complexos no sentido que os proponentes do D.I. afirmam que são?

O flagelo mais bem estudado (bactéria E. coli) contém cerca de 40 tipos de proteínas diferentes, mas só 23 destas proteínas são comuns a todos os flagelos de bacterias estudadas. Das 2 uma: ou um designer supercomplexo, de origem supercomplexa criou milhares de variantes do flagelo ou, é possível fazer alterações consideráveis ​​que apenas modifiquem (e até façam evoluir) o mecanismo.
Destas 23 proteínas, verifica-se que apenas duas são exclusivas para os flagelos. As outras, todas se assemelham a proteínas que realizam outras funções na célula, ou seja a grande maioria dos componentes necessários para fazer um flagelo pode já ter estado presente nas bactérias antes do aparecimento desta estrutura.
Também tem sido demonstrado que alguns dos componentes que formam um flagelo, de um modo geral - o motor, a máquina de extrusão para a "hélice" e um sistema de controle direcional primitivo - podem desempenhar outras funções na célula, tais como a exportação de proteínas.
  
Agora, uma explicação de acordo com a evolução por selecção natural:
Tem sido proposto que o flagelo tenha se originado a partir de um sistema de exportação de proteínas. Ao longo do tempo, este sistema pode ter sido adaptado para possibilitar a adesão da bactéria a uma superfície por extrusão de um filamento de adesivo. Uma bomba de iões para expelir as substâncias a partir da célula pode então ter mutado para formar a base de um motor rotativo. Rodar qualquer filamento assimétrico iria impulsionar uma célula e dar-lhe uma enorme vantagem sobre as bactérias não-móveis.
Finalmente, em algumas bactérias os flagelos tornaram-se ligados a um sistema desenvolvido para dirigir o movimento em resposta ao meio ambiente. Em E. coli, funciona mudando a rotação de flagelos do sentido anti-horário para o horário e vice-versa, possibilitando mudanças de direcção.
É certo que os mecanismos genéticos para a formação das estruturas do flagelo é bastante complexo e pode mesmo afirmar-se organizado.
Relativamente ao flagelo da Salmonela, existem 3 classes de promotores (iniciam a expressão do gene quando reconhecidos pelo RNA polimerase e uma proteína associada - factor sigma). Essas três classes de promotores são designadas “Classe I”, “Classe II” e “Classe III”. Quando a construção do corpo basal enganchado é completada, o fator antissigma FlgM é secretado através das estruturas flagelares que são produzidas pela expressão de genes de corpo basal Classe II. Os promotores da Classe III (que são responsáveis pela expressão dos monômeros flagelinos, do sistema de quimiotaxia e dos geradores de força motor) são finalmente activados pelo σ28, e o flagelo pode ser completado. É um mecanismo deveras complexo, no entanto ainda mais complexo seria se de facto um designer (superinteligente e complexo) tivesse "programado", projectado algo assim.
A Teoria sintética da evolução, no que diz respeito á selecção natural ainda não explica tudo, mas a hipótese do Design Inteligente está ainda mais longe de explicar mínimamente a complexidade dos mecanismos das estruturas vivas.
Relativamente á dita evolução química, se se atentar em posts anteriores, estão sucintamente descritos os resultados da experiencia de urey-miller e de experiencias mais recentes (2008) que completaram esta ultima ("Evolução um facto cientifico? sim" - ultima parte. link: http://allthatmattersmaddy32.blogspot.pt/2011/06/evolucao-um-facto-cientifico-sim.html)

"The bacterial flagellum: truly an engeneering marvel" - Jonathan M under, Uncommon Descent (24 de Dezembro de 2010), disponível em: http://www.uncommondescent.com/intelligent-design/the-bacterial-flagellum-truly-an-engineering-marvel/

"Evolution Miths: The bacterial Flagellum is Irreducibly Complex" - Michael Le Page, New Scientist (16 de Abril de 2008), disponível em:  http://www.newscientist.com/article/dn13663-evolution-myths-the-bacterial-flagellum-is-irreducibly-complex.html

sábado, 21 de julho de 2012

Hipótese vs Teoria

Desta vez, vou abordar a temática hipótese vs teoria, no ambito cientifico, evidentemente.
As palavras teoria e hipótese em ciência têm um significado ligeiramente diferente do que em linguagem corrente.
Hipóteses são conjecturas que quando testadas se transformam em teorias, apoiadas por factos observáveis ou testados experimentalmente. Eu própria tenho por vezes sido descuidada a utilizar estes 2 termos, nomeadamente para designar o Design inteligente, que é ainda uma hipótese cientifica e não uma teoria cientifica, pela definição desta, enquanto que a Teoria Sintética da Evolução é de facto uma teoria.










Penso que alguns cientistas aceitam melhor a hipótese do Design Inteligente do que a Teoria Sintética da Evolução, da qual faz parte o conceito de evolução por selecção natural porque não é tão chocante relativamente ao contexto religioso em que foram criados - mesmo que actualmente não se encontrem tão ligados á religião.  

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Evolução vs Criação III


Y. Pestis
Em ciência trabalhamos com hipóteses, que quando testadas se transformam em teorias, apoiadas por factos observáveis ou testados experimentalmente. As teorias, quando sobrevivem a exaustivos testes e ás novas descobertas ao longo do tempo podem passar a ser designadas por lei. A Teoria Sintética da Evolução permanece uma Teoria – a mais aceite entre a comunidade científica, mas a ocorrência de evolução é um facto verificado através da observação e de testes experimentais. 


A lei da Biogénese afirma que seres vivos só provêm de outros seres vivos.


A 1° lei da termodinâmica, ou a lei da conservação da energia constata que a energia não pode ser criada ou destruída, sendo a quantidade total de energia no universo constante.


A 2ª Lei da Termodinâmica determina que a entropia (desordem) total de um sistema termodinâmico isolado tende a aumentar com o tempo.


A ocorrência de evolução e a abiogénese não vão contra estas leis, pelo que ainda se mantém aceites pela maioria da comunidade científica.


No entanto muitos continuam iludidos ao tentarem submeter a Teoria Sintética da Evolução á lei da biogénese, á 1ª lei da termodinâmica e á 2ª lei da termodinâmica.


Os proponentes do criacionismo, ao tentarem provar que a Evolução não ocorre, pois iria contra estas leis, afirmam que  as primeiras formas de vida não poderiam ter sido geradas a partir de matéria não viva segundo a lei da biogénese, que a Teoria Sintética da Evolução não pode ser verdadeira por afirmar que o universo está em constante expansão e evolução, o que vai contra a primeira lei da termodinâmica e , ainda, que a tendência para a organização (dos seres vivos) proposta pela Teoria Sintética da Evolução é contra a 2ª lei da termodinâmica (lei da entropia).


Seria uma óptima defesa para o criacionismo, se não fosse o facto dos seus proponentes continuarem a ignorar alguns pressupostos presentes nos próprios enunciados das leis, ou intrínsecos a estas, tais como:



1. A Lei da Biogénese aplica-se ás condições dos estudos de Pasteur e walter reed e ás formas de vida actualmente existentes, não certamente ás do pre-cambrico; a geração espontânea que Pasteur e outros refutaram era a idéia de que formas de vida tais como ratos, vermes e bactérias podem aparecer completamente formados. Não há nenhuma lei da biogênese a afirmar que a vida muito primitiva não pode se formar a partir de moléculas cada vez mais complexas.

2. a) De acordo com a 1ª Lei da Termodinâmica nada de "cria" – deus não poderia ter "criado" nada

   b) Não é a Teoria Sintética da Evolução que afirma que o Universo está em expansão – este pressuposto é de uma das facções dos teóricos do Big Bang.

3. A 2ª Lei da Termodinâmica aplica-se a sistemas isolados, não se aplicando por isso aos seres vivos que são sistemas abertos.




Quando se trata desta questão surge ainda a Lei da causa-efeito que afirma que a causa nunca pode ser menor que o efeito. No entanto, o que muitos não sabem é que não se trata de uma lei científica, mas sim de um pressuposto filosófico que é actualmente aplicado ás cultura budista e espírita, pelo que não pode ser utilizada para discutir sobre uma teoria cientifica como a Teoria Sintética da Evolução.

Relativamente ao Design inteligente, penso que já ficou minimamente claro o mecanismo evolutivo do olho. Mas, relembrando o caso Dover, há que ter em conta a evolução do flagelo das bactérias. Durante o julgamento do D.I., foram apresentados estudos que mostravam que há muito tempo já se conheciam diversos flagelos para variados fins noutras bactérias.
 Relativamente à bactéria Yersinia pestis, responsável pela transmissão da peste bubónica, o flagelo não roda, portanto não é usado como motor. Porém é usado como agulha para infectar o hospedeiro. Neste estrutura, apesar de muito semelhante, faltam muitas proteínas que estão presentes no flagelo de E. coli, mas mesmo assim é totalmente funcional. Se o pressuposto da complexidade irredutível estivesse totalmente correcto isto não poderia ser verificado – no entanto é. A função não é a mesma se “retirarmos uma das peças”, mas podem ser desempenhadas outras funções valiosas pela estrutura. Assim, o flagelo que permite a locomoção de bactérias é apenas uma evolução destas estruturas.

Esquema do flagelo de Y. Pestis





Referências Bibliográficas:



“Lei de cause e efeito (Budismo)”, Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_causa_e_efeito_(Budismo)



“Judgement Day: Inteligent Design on Trial” – Nova Beta, Disponível em: http://www.pbs.org/wgbh/nova/evolution/intelligent-design-trial.html




Créditos do documentário:




Edited by:


Jonathan Sahula

Produced by:



Joseph McMaster
Gary Johnstone
Vanessa Tovell



Written by:



Joseph McMaster



Directed by:



Gary Johnstone
Joseph McMaster

terça-feira, 17 de julho de 2012

Evolução vs Criação II

Sobre este assunto, continuam a não restar dúvidas sobre a creditação científica da Teoria Sintética da Evolução - o que não significa que não possam existir dissidências.  Sobre os seus mecanismos e os seus fundamentos, penso que estes continuam o mais sólido que a ciência pode alcançar actualmente - ao contrário do que verifiquei em muitos argumentos.
 Este post vem a propósito dos argumentos supra-referidos e de algumas questões colocadas sobre estruturas complexas que se verificam em vários animais, incluindo na espécie homo sapiens sapiens (a nossa espécie) e sobre lacunas no registo fóssil (questões já referidas anteriormente) e ainda a propsito dos argumentos neo-darwinistas, baseados na genética (investigação científica com base na bioquímica).
Aqui estão algumas questões que são frequentemente colocadas:
1. A da complexidade irredutivel, agora referindo-se a orgãos complexos presentes em muitas espécies actuais (incluindo a nossa) - ex. os olhos.

2. Lacunas fósseis, agora com exemplos e dados mais concretos.

Uma das maiores falhas apontadas á teoria da evoluçao é n conseguir explicar a complexidade e o funcionamento integrado de vários orgãos animais, sendo o exemplo mais célebre o olho.
Os olhos não podem funcionar sem estarem totalmente formados?
O Dr. Nielson, cientista sueco, pensa que, na realidade os olhos evoluiram n uma mas várias vezes, num processo gradual. Segundo o modelo que este criou um pedaço de pele fotosensível ir-se-ia afundando ao longo de milhares de gerações.
Em relação ás experiências que realizou:

a. A direcção de 1 lâmpada torna-se mais clara á medida que a profundidade aumenta

b. Cada estágio eolutivo oferece vantagem em relação ao anterior (selecção natural)
c. Ainda existem animais (como o nautilo) que ainda apresentam formas intermédias

d. Ao utilizar um modelo de íris que pode ser fechado gradualmente, verifica-se que quanto mais pequena é, mais nítida a imagem.
e. Nos animais o que permite focar a imagem é o cristalino, que na experiência foi substituído por uma lente inflável de água, injectando água na lente, o que permitiu, então focar; na natureza , o líquido transparente terá provávelmente ficado mais espesso.

Achei esta explicação bastante provável (mais do que a do design inteligente), quando se trata de conjecturas científicas devidamente testadas e fundamentadas.
Outra das grandes falhas constantemente apontadas á teoria da evolução é o facto do registo fóssil estar incompleto. É claro que já foram encontrados vários fósseis de transição, como o archeopterix e mesmo fósseis de transição de primatas (ancestrais do homem), vários (homo erectos, homo habilis) entre o ancestral comum com os chimpazés e o homo sapien sapiens. Contudo há quem só saiba apontar o que n foi descoberto e n dê valor científico ás evidências já conhecidas, o k é um tremendo erro para quem pretende seguir qualquer modo de pensamento científico.

É verdade que existem fósseis de transição que ainda não são conhecidos dos cientistas ou n o eram até há pouco tempo.
Um destes exemplos é a forma intermédia entre peixes e anfíbios. Um cientista da universidade de Chicago, o Dr. Neil H. Shubin liderou uma equipa de paleontólogos para tentar descobrir este fóssil de transição numa ilha a cerca de 965 km do polo norte, pois as rochas existentes teriam 375 milhões de anos. Este fóssil demorou mais de 5 anos a ser descoberto. Só em 2004 os objectivos foram atingidos e a descoberta foi publicada na revista "Nature". Isto demonstra uma grande dificuldade em encontrar fósseis e digo mesmo que os cientistas têm muita sorte em terem encontrado tantos, inclusivamente fósseis de transição.
O fóssil apresentava as seguintes características:
a. Escamas e membranas natatórias

b. Cabeça achatada

c. Cabeça, pescoço bem diferenciadas do resto do corpo
d. Os ossos das barbatanas eram semelhantes aos dos animais terrestres, inclusivamente aos do nosso braço.
Aqui está "mais uma prova" da teoria da evolução.

A teoria de Darwin só foi aceite pela comunidade científica após a sua morte, pois só então algumas descobertas novas puderam comprovar e aperfeiçoar a teoria original, incluindo o registo fóssil e dados da bioquímica e da genética.

Realmente partilhamos alguns (ou até muitos) genes com outras espécies, oque sugere que temos algo em comum:
Chimpanzés: 95%
Narciso: 33%

Mosca das fruta (Drosophila melanogaster) 45%

Rato (Mus musculus) 89%

Verme (Caenorhabditis elegans) 26%

Erva (Arabdopsis thaliana) 21%

Bactéria (Escherichia coli) 9%

Tanto os golfinhos como as baleias são mamíferos e não peixes. Como terá isto acontecido?
Segundo uma perspectiva darwinista os ancesrais dos golfinhos teriam pernas que passaram a barbatanas... mas como tudo isto se processou a nível dos genes?
É observável que houve peixes que também perderam parcialmente a cauda, existindo ainda nas 2 "versões" (Gasterosteidae). Os processos nestes 2 animais são semelhantes, pelo que o último foi utilizado como modelo.
Os estudos demonstraram que um determinado gene (factor de transcriçao pitx1), que coordena a actividade de vários outros genes está relacionado com o crescimento desse orgão. Mas a diferença verificada não está no gene, mas numa porçao de DNA nas proximidades que se liga a uma determinada substância, o que activa o pitx1 e desencadeia a transcrição de outros genes responsáveis pelo crescimento do membro. Isto n se verifica nos peixes sem cauda, pois ocorreu uma pequena alteração que invalida a ligaçao com a substância necessária para desencadear o processo.
http://www.youtube.com/watch?v=ha-Yf1ItqcI

Outro exemplo de um argumento Neo-darwinista  é a lei biogenética de Muller-Haeckel, que afirmava que as fases embriológicas apresentavam, não estruturas de animais primitivos adultos, mas estruturas de embriões das espécies ancestrais.

Relativamente aos mecanismos que "auxiliam" a selecção natural, ou seja, que podem ser os causadores de mutações que fazem com que os genes de determinados individuos sejam seleccionados, temos o exemplo dos vírus (tanto de DNA como de RNA, que seriam os mais comuns no mundo primitivo), que são muitas vezes responsáveis por mutações que podem até ser transmitidas á descendência, dependendo dos tecidos/células que infectam.

Como pode ser verificado através destes exemplos, os dados da bioquímica e da genética têm confirmado os factos, na medida em que a teoria da evoluçao ainda é a mais aceite pela comunidade científica.

Por definição, o Criacionismo científico e o a Hipótese do Design Inteligente (#), além de reprovarem o facto da macroevolução, reprovam a Teoria da Abiogénese - que, mais uma vez é a mais aceite entre a comunidade científica, pois foi corroborada por vários testes experimentais: experiência de Urey-Miller, na qual foram produzidas várias moléculas orgânicas, entre as quais aminoácidos; reanálises publicadas em Outubro de 2008 do material original da experiência, mostraram a presença de 22 aminoácidos ao contrário dos 5 que foram criados no 1º aparelho.
Os Replicadores seriam, possivelmente, moléculas semelhantes ao nosso DNA. Estas poderiam ligar-se a outras moleculas orgânicas, havendo cada vez mais cópias dessas moléculas que foram ganhando diversidade através de erros na transcrição (mutações) não letais, mas sim benéficas.

A questão da Dissidencia Cientifica do Darwinismo é algo que pode criar uma certa ilusão a quem lê ou ouve esta expressão, pois:
1.  O documento citado é denominado Dissidencia cientifica do Darwinismo, certo? Só pela palavra dissidência se verifica que não é a decisão científica da maioria.

 2. O facto de não se estar de acordo com a Teoria Sintética da Evolução não significa que se esteja obrigatóriamente a defender qualquer outra teoria específica ou o Criacionismo científico ou mesmo o Design inteligente - existem outras teorias (Ex.: Panspermia e outras suas derivadas).

3. Escrever citações de cientistas ditos criacionistas (aceitam/defendem o conceito de criação divina)  cujos termos utilizados são "sugere um planeamento" ou "aparente Design" ou outras semelhantes não é de todo convincente para alguém com um espírito minimamente crítico, pois estas não indicam de forma alguma que estes individuos sejam proponentes do criacionismo - eu própria já utilizei a expressão "aparente design" ou "planeamento".

Relativamente a cientistas da actualidade que apoiam incondicionalmente a Teoria da Evolução posso dar um exemplo: Richard Dawkins. Este defende na sua obra de divulgação científica que o gene (e não a espécie ou mesmo o individuo) é a unidade básica da da selecção natural, tendo esta como base a selecção de genes a partir de determinado fundo genético de acordo com as capacidades que proporcionam aos organismos em que se encontram. Isto deita por terra o mito de que a Selecção Natural é aleatória.
Ao longo do texto, Dawkins explica alguns comportamentos aparentemente altruistas de certos individuos (animais e humanos) de acordo com esta tese e apresentando argumentos válidos apoiados por uma breve e simples análise estatística de certas situações, como por exemplo no caso de um grupo de leões, estes caçam uns para os outros (as femeas caçam umas para as outras e para os machos), correndo alguns riscos, no entanto, ao avaliar a probabilidade de partilha de genes entre individuos, é verificável que entre si têm uma probabilidade de partilhar genes superior á probabilidade entre primos e inferior á probabilidade entre irmãos, sendo então vantajoso para os genes (e não para o individuo) correr alguns riscos para o bem da comunidade.
Dawkins vê-nos como máquinas génicas, mas no entanto admite que (devido á nossa complexidade de pensamento) temos livre arbitrio e não são apenas, mas maioritáriamente, os genes que contam.
Relativamente a esta ultima frase, deixo a sugestão para todos os que lerem este post: usem o vosso livre arbítrio, não deixam que vos façam lavagens ao cérebro.

(#)Nota 1: Criacionismo Científico não é o mesmo que Design inteligente: O primeiro refere-se á teoria de que Os factos são os relatados no livro Génesis (excepto a idade da Terra) e de que estes podem ser apoiados por factos científicos (sendo aceite a microevolução por alguns proponentes); O D.I. aceita a microevolução e baseia-se na complexidade irredutivel - princípio que afirma que algumas estruturas biológicas são demasiado complexas para terem evoluido gradualmente, sendo assim produto de um design inteligente.

Nota 2: No post anterior ("Ainda sobre Evolução vs Criação") e nos comentários referidos no mesmo pretendo fazer algumas correcções: queria  dizer década de 1970 e não década de 1960 e relativamente á década de 1930, estava a referir-me a outra data mencionada ("1929") no post original do Blog que visitei (http://teologialogica.blogspot.pt/2011/09/evolucao-x-criacao-parte-4.html ) que acabei por não especificar correctamente.        

  Referências Bibliográficas:

 "O maior espectáculo da Terra - As evidencias da evolução" - Richard Dawkins
1ª Edição: 2009
"O Gene Egoísta" - Richard Dawkins
"A Caixa Negra de Darwin" - Michael Behe
"Atualização em Biologia Molecular" - Drª. Eliana Dessen - Centro de Estudos do Genoma Human, Instituto de Biociências da U.S.P.
"Complexidade irredutivel", Disponível em: http://pt.wikipédia.org/wiki/complexidade_irredut%C3%ADvel
"Miller-Urey experiment", Disponível em:http://en.wikipedia.org/wiki/Miller%E2%80%93Urey_experiment
"A fascinante evolução do olho" - Dr. Trevor D. Lamb, Scientific American Brasil, Agosto 2011 (edição  111), disponivel em:


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ainda sobre Evolução vs Criação

Sobre o debate Evolução vs Criação, penso que já deixei bastante clara a minha posição. A Evolução é um facto cientifico irrefutável até á data e a abiogénese das primeiras formas de vida que está em concordância com a Teoria Sintética da Evolução está perto disso. Isto não é apenas a minha opinião mas algo que é aceite pela maioria dos elementos da comunidade científica.
O autor dos 2 comentários ao post sobre Evolução vs Criação respondeu a um comentário meu que focava exactamente um dos ultimos pontos desse mesmo post - o argumento de que a criação divina é aceite por muitos membros da comunidade científica, sendo que os exemplos citados não viveram além dos anos 60 de um modo geral e do que os anos 30 neste caso específico. No ultimo comentário sugeriu que eu visualizasse o seu ultimo post (disponível em:http://teologialogica.blogspot.com.br/2012/07/cientistas-favor-de-deus.html) , que era uma espécie de desafio ao meu comentário. Neste, afirma que os ateus acham todas as citações que mencionam deus ultrapassadas e, por ultimo, faz uma nova lista de citações de cientistas que supostamente aceitam/defendem cientificamente a criação divina e que viveram até á actualidade ou próximo disso. Seria uma boa resposta, no entanto, mais uma vez a escolha tanto de personalidades como de citações não foi a melhor. Ao ler a minha resposta a este ultimo talvez se torne perceptível o que quero fazer notar:
" Boa tarde...tenho umas pequenas correcções a fazer: Quando disse no meu outro comentário que os cientistas citados não viveram além dos anos 60 estava a referir-me ao que tenho observado de um modo geral, mas relativamente ao seu post, os cientistas citados não viveram além dos anos 30, se bem me recordo. Não sou ateia nem "simpatizante de ateus", sou agnóstica. Quanto a este post, penso que seria uma óptima estratégia para a defesa dos seus pontos de vista se não fosse o facto de quase metade dos peritos aqui mencionados não se referirem (directa ou indirectamente) a um deus criador, mas sim á "sugestão" ou à "aparencia" de uma superinteligencia ou à ideia de "'quase' arquitectado" ou apenas que ciencia e religião devem ser amigas (ver Sir Fred Hoyle 1915-2001, Paul Davies 1946 - dias atuais e John Polkinghorne 1930 - dias atuais). Eu não quero dizer que os cientistas não podem ter/não têm crenças ou religião apenas por serem cientistas e inteligentes, mas penso que deveria escolher melhor os exemplos com os quais quer demonstrar que o seu ponto de vista é o correcto. Gostaria ainda de opinar que o que os argumentos que utiliza neste blog sobre o assunto não demonstram que o Criacionismo é a teoria mais aceite actualmente na comunidade cientifica, apenas reflecte (ou reflectiria) a opinião (científica ou pessoal) de um número limitado de cientistas que não estão inseridos (a maioria) na área das ciencias biológicas ou afins. Você tem de aceitar que as teorias mais aceites na comunidade cientifica relativamente á formação do universo, ao aparecimento da vida na Terra e á diversidade/complexidade biológica são respectivamente a Teoria do Big Bang, a Teoria da abiogénese e a Teoria Sintética da Evolução; o que não quer dizer que não possa ter as suas crenças pessoais."
Acho que não necessito de fazer uma lista de cientistas que não achem o mito da criação divina cientificamente correcto, pois basta ter frequentado o Ensino Secundário (Médio) para tomar conhecimento de que são estas as teorias aceites por uma maioria na comunidade cientifica e as mais correctas cientificamente.
Todos têm direito ás suas crenças pessoais e não devem pretender que estas se transformem em verdades absolutas universais.
Penso que argumentar, fazendo generalizações precipitadas de casos particulares (que constituem uma minoria) não é válido, pois constitui uma falácia (no verdadeiro sentido do termo). Escolher exemplos duvidosos ou dúbios para provar que um ponto de vista está correcto não é a melhor maneira de se vencer um debate real.





O eterno debate criacionismo vs criacionismo






"People", pela ultima vez: parem de me seguir!
         

Testes de personalidade: religião

Ainda hoje deparei-me com um teste de personalidade online sobre espiritualidade, moral e religião. Eu penso que, por estranho que possa parecer, este teste tem um propósito bastante válido, pois ao longo da minha vida tenho-me deparado com pessoas que afirmam pertencer a determinada religião/subgrupo religioso (ou não) mas não serem sempre coerentes com essa afirmação. Eu realizei o teste (grátis) por curiosidade e os meus resultados foram aproximados ás minhas expectativas, tendo apenas como dissidente a categoria "Nontheist" (Não teísta/Ateu), na qual esperava uma maior percentagem de correspondência:
  1. Unitarian Universalism (100%)
  2. Secular Humanism (93%)
  3. Liberal Quakers (83%)
  4. Theravada Buddhism (77%) (Budismo não teísta)
  5. Neo-Pagan (69%)
  6. Nontheist (66%)
Apresento apenas os 6 resultados mais relevantes (com o respectivo link para quem não sabe o que significa) e deixo aos leitores o link do teste:
  http://www.beliefnet.com/Entertainment/Quizzes/BeliefOMatic.aspx.   

domingo, 15 de julho de 2012

Celebridades: teorias da conspiração

Vários blogues de fãs cristãos de determinado artista e sites oficiais de organizações cristãs publicam a cada instante mensagens sobre a manipulação da industria musical por uma organização chamada "illuminati". Este termo é especificamente referentes a uma sociedade secreta baseada no movimento iluminista e fundada a 1/5/1776 cujo principal objectivo impor uma Nova Ordem Mundial (Soldados da Nova Ordem), o que inclui o fim do domínio das grandes religiões (religiões do livro), incidindo especialmente sobre a igreja católica e a religião Cristã em geral, Os membros desta organização veneravam a sabedoria e a ciência tendo como simbolo a coruja de Minerva (Deusa da Sabedoria). Na era pós-moderna (a nossa), também é usado para designar uma suposta organização que controlaria os acontecimentos a nível mundial e os ideais das sociedades ocidentais em geral. Esta seria uma versão moderna ou uma continuação dos primeiros illuminati. Esta hipótese tem como principal apoio o número de pessoas que a toma como verdadeira; por outras palavras, os illuminati pos-modernos são um mito urbano, alimentado pelos teóricos da conspiração, sobretudo os fanáticos cristãos que vêm uma ameaça em tudo o que pensa por si próprio...
Segundo estes teóricos da conspiração, os illuminati controlam a industria musical e determinados artitas, conseguindo assim passar mensagens subliminares ao publico. É uma hipótese muito rebuscada, mas tem o seu sustentáculo na quantidade de pessoas que acreditam nessa conspiração. A maioria dos artistas não são muito religiosos (ainda que acreditem em algo de sobrenatural) e mesmo muito poucos seguem os preceitos das religiões cristãs, mesmo tendo sido educados no cristianismo durante muito tempo (Nelly Furtado, Beyonce, Rihanna, Jay-Z, Alicia Keys, Katy Perry, Lady Gaga, Christina Aguilera...). Este facto aborrece muitos cristãos, pois pensão que isso minimiza a importância das suas crenças religiosas, não contribuindo para cativar pessoas á fé cristã.
Por outro lado, os artistas que de facto seguem declaradamente o cristianismo são aclamados pelo publico como sendo um exemplo a seguir pelos que estão a ser aliciados pela organização illuminati. Entre estes, (actualmente) encontram-se Justin Bieber, Kelly Rowland, Mariah Carey, Fergie, Chris Brown (embora actualmente se pense que está associado a cultos maçónicos, tal como a cantora Jordin Sparks). Normalmente uma acusação nunca vem só: um artista não pode ser apenas illuminatti, tem que ser satânico, pagão, adorador de deuses(as) maus, ateus, etc. Os cristãos de um modo geral nunca prezaram a tolerância religiosa, mas era de esperar que em 2012 isso tivesse sido no mínimo atenuado. Não, o controlo da mente não é ralizado por nenhuma sociedade mítica mas sim pelos adeptos de uma religião actualmente em vigor: o cristianismo.       

Referências Bibliográficas:

" Anjos e Demónios" - Dan Brown
"Illuminati: os Soldados da Nova Ordem" - Revista Superinteressante, Novembro de 2008, Disponivel em: http://super.abril.com.br/cultura/illuminati-soldados-nova-ordem-447849.shtml
"Illuminati", Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Illuminati     
"The Hollowverse - Christina Aguilera", Disponível em: http://hollowverse.com/christina-aguilera/
"The Hollowverse -Beyonce", Disponível em: http://hollowverse.com/beyonce/
"Alicia Keys Discusses God", Disponível em: http://viklife.com/video/alicia-keys-discusses-god