domingo, 12 de agosto de 2012

Evolução vs Lei de Mendel ?

É correcto afirmar que Mendel constatou que uma característica de uma espécie apenas passava para um membro da mesma espécie - que é válido se desprezarmos os processos evolutivos. As leis descobertas foram entendidas por Mendel como as leis dos elementos constantes para uma variação grande, mas finita, tendo deste modo rejeitado a hipótese evolutiva lamarkista - hipótese que o incentivou a realizar as suas pesquisas. No seu estudo  
EXPERIMENTS IN PLANT HYBRIDIZATION , verificam-se as expressões  "constant characters", "constant offspring", "constant combinations", "constant forms", "constant law", "a constant species”. Há luz dos conhecimentos da época de Mendel, nem este nem Darwin poderiam ter conciliado as 2 teorias.
 No entanto, actualmente não existe nenhuma lei cientificamente aceite que estabeleça essa constatação como facto irrefutável. As leis de Mendel são:
1° lei - A primeira lei de Mendel, chamada de lei da segregação ou lei da pureza dos gametas, pode ser enunciada da seguinte forma: na formação dos gametas, os pares de fatores segregam-se.
2° lei - Duas caracteristicas ou mais localizadas em cromossomas diferentes não são herdadas juntas; Elas separam-se de forma independente formando gametas com a mesma proporção de genes - cromossoma que contem o genótipo AaBb forma gametas AB;Ab;aB;ab.
Estas leis estão de acordo com a Teoria Sintética da evolução.



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Dissidencias ou Derivações do Darwinismo?



Certamente muitos conhecem o documento de dissidencia cientifica do Darwinismo, anteriormente referido. No entanto, os cientistas que discordam da posição darwinista ainda são uma minoria, mesmo sendo em maior numero do que os que assinaram o documento. É de salientar que  nem todos os que são "dissidentes" do Darwinismo são criacionistas e/ou rejeitam que os factos e fenómenos apoiam a Teoria Sintética da Evolução, descartando apenas a acção de alguns processos aleatórios (embora estando demonstrada a sua influencia nos processos evolutivos) e conjecturando sobre o facto de certas modificações serem melhor explicadas pela acção de um designer inteligente. 2 exemplos deste tipo de dissidencia são os cientistas agnósticos Paul Davies - físico e astrobiólogo,  e Michael Denton - médico e bioquímico.

Paul Davies cresceu numa família cristã e criacionista., tendo-se tornado agnóstico.  A suas obras mais populares debruçaram-se sobre as condições do universo como o conhecemos e o modo como estes estão adequados á existencia e manutenção de vida - se ocorrer apenas uma modificação desprezável, esta afecta drasticamente a manutenção da nossa existencia. Este também invoca o argumento da complexidade biológica para sustentar que os processos que nos trouxeram desde a formação do universo até á actualidade são melhor esclarecidos como produto de um direccionamento.

Este afirma na sua obra "A Mente de Deus" (1992) que: "would rather not believe in supernatural events personally. Although I obviously can't prove that they never happen, I see no reason to suppose that they do.", ou seja, que não acredita pessoalmente nem tem provas de que ocorram eventos sobrenaturais. No entanto, este pensa que para o universo existir há a possibilidade de uma ocorrrencia dessa natureza, então na sua opinião existe um designer - apenas isso. Sendo os argumentos do autor baseados na hipótese do DI, quer pela complexidade irredutivel, quer pelas condições próprias do universo, esta perspectiva não passa de hipotética, pois como o próprio afirma, não há evidencias conclusivas.
A sua obra "Deus e a Nova Física" (1983) é considerada deste modo pelo revisor
Tim Radford do the guardian: "Este não é um livro sobre Deus: é um livro sobre o que era em 1983 a nova física", sendo as questões abordadas filosóficas (existenciais) relativamente á complexidade e ás condições próprias do universo desvendadas nessa época, tal como acontece relativamente á obra "A Mente de Deus". Ainda assim muitos religiosos criacionistas têm-se baseado nestas obras para invocarem bases cientificas para as suas afirmações, não conseguindo mais do que o esforço de progredir em 100x, mas o resultado de se manterem no mesmo nível de 'problema existencial'.
Os criacionistas costumam rotular Paul Davies de "ex-agnóstico que chegou a deus através da ciencia", quando as suas obras em nada relacionam objectivamente a existencia de deus com os dados cientificos - apenas de uma forma meramente filosófica . Ainda que o autor Paul Davies tenha possivelmente mudado de opinião (relativamente á citação),  tratar-se-ia de uma crença religiosa (desconheço se Paul Davies acredita em deus actualmente, mas tal não é relevante, uma vez que design inteligente é diferente de criação divina). No entanto ainda há pessoas que não conseguem separar a ciencia da religião. O deísta (e cristão) Francis Collins continua a acreditar em deus - crença pessoal - mas aceita as leis da natureza e da ciencia com imparcialidade, por exemplo, relativamente á Teoria Sintética da Evolução - evolucionismo deísta. Não há necessidade de misturar ciencia e religião.
É conhecido que Paul Davies é adepto da teoria da panspermia e não da criação divina para explicar a origem da vida na Terra, o que não contraria o conceito de macroevolução por selecção natural, embora nos trabalhos anteriormente referidos este tenha deixado em aberto a possibilidade da acção de um agente orientador.
O trabalho de Paul Davies influenciou outro cientista (e possivelmente muitos mais), no seu modo de interpretar os factos cientificos: Michael Denton. 

Na sua primeira obra contestatária da Teoria Sintética da Evolução á luz da perspectiva Darwinista, "Evolução: uma Teoria em Crise" (1986), este apresenta uma interpretação da complexidade semelhante á de Michael Behe n' "A Caixa Preta de Darwin", dando ainda enfase a outros dados, tais como o registo fóssil e a análise molecular comparativa de proteinas.      
 
As variações na estrutura de proteínas, tais como citocromo C podem ser analisadas para proporcionar uma árvore filogenética. No entanto, Michael Denton apontou na mesma obra que a diferença percentual no citocromo C foi comparativamente medida e as divergências eram aproximadamente uniformes. Por exemplo, a diferença entre o citocromo C de carpa, rã, tartaruga, galinha, coelho, e cavalo é entre 13% a 14%.
 O autor sugeriu que isso desacreditava a noção de que os peixes eram ancestrais dos sapos, que eram ancestrais dos répteis, que eram ancestrais dos pássaros e mamíferos. Se assim fosse, então não seria a diferença nas estruturas do citocromo C cada vez mais acentuada de carpa para rã, para réptil, para mamífero? Como poderiam as diferenças na estrutura do citocromo C, estarem próximas de serem "equidistantes"? O problema do argumento de Denton foi o facto de todas as espécies modernas serem “primos”. A carpa não é um ancestral de um sapo; Sapos não são ancestrais de tartarugas; tartarugas não são ancestrais de coelhos. As variações na estrutura do citocromo c estavam todos em relação ao ancestral comum destes organismos diferentes e não é surpreendente que eles mostraram um nível semelhante de divergência.  As críticas da comunidade cientifica foram na sua maioria negativas, afirmando um a má interpretação da Teoria da Evolução. Michael Denton foi mesmo apelidado de "anti-evolucionista" e "anti-darwinista" aquando do lançamento da obra supracitada. 
 Em 1998, Denton aparentemente continuou o "assalto" á Teoria da evolução com a obra "O destino da Natureza".  No entanto, nesta obra o bioquímico retrata a sua opinião cientifica e crítica.  Denton ainda aceitava o design, mas também a evolução. Ele negou que a aleatoriedade influencia os processos evolutivos e aprópria biologia dos organismos, tendo proposto uma "evolução dirigida".A vida de acordo com Denton não existia até que as condições iniciais do universo se tornaram favoráveis, existindo uma sintonia fina, o que demonstara claramente a influencia do trabalho de Paul Davies.
Denton estudou as evidencias genéticas da Teoria Sintética da Evolução e aceitou-as como válidas, tal como demonstram as citações:
  
"One of the most surprising discoveries which has arisen from DNA sequencing has been the remarkable finding that the genomes of all organisms are clustered very close together in a tiny region of DNA sequence space forming a tree of related sequences that can all be interconverted via a series of tiny incremental natural steps".

"So the sharp discontinuities, referred to above, between different organs and adaptations and different types of organisms, which have been the bedrock of antievolutionary arguments for the past century, have now greatly diminished at the DNA level. Organisms which seem very different at a morphological level can be very close together at the DNA level."

No entanto, este reflete na possibilidade do design:

"Again, as in the two cases cited above, it is hard to believe that any sort of unguided evolutionary mechanism would have realized such an unusual adaptive end."
"Just how such a different respiratory system could have evolved gradually from the standard vertebrate design without some sort of direction is, again, very difficult to envisage..."

Então, fica a questão: Tratam-se de dissidencias ou de derivações do Darwinismo? A minha resposta é: derivações. Mas fica ao critério.
Referências bibliográficas:

Denton, Michael – ‘Nature’s Destiny: How the Laws of Biology Reveal Purpose in the Universe’ - Free Press; First Edition (July 8, 1998)

Birx, H. James - Library Journal;7/1/1998, Vol. 123 Issue 12, p129 (‘Nature’s Destiny’ review)

Spieth, Philip T. (Associate Professor of Genetics, University of California, Berkeley) - Zygon, vol.

 22, no. 2 (June 1987) (Review: "Evolution — A Theory in Crisis")

Tim Radford, ‘The Guardian’ Friday 16 March 2012 – “God and the New Physics by Paul Davies – book review”


Kay, Marc “Comentary Of Paul Davies and The Mind of God” - CENTech. J., vol. 10, no. 2, 1996
  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vantagens evolutivas das mutações


Um dos argumentos contra a TE é que as mutações só causam problemas e não vantagens.

É apoiado pelos factos que mesmo mutações que impedem a sintese de determinadas proteinas ou a alteram para uma situação aparentemente pior, têm alguma vantagem evolutiva; por exemplo: os 98% do nosso genoma que não são codificantes (que de outro modo não estariam presentes) e a mutação que provoca a anemia falciforme, que acarreta resistencia á malária, sendo por isso comum em países em que esta doença também é comum.

A resposta é: sim, as mutações podem ser benéficas, podem trazer vantagem evolutiva.

No entanto os criacionistas apreciam muito este argumento, que cai facilmente com um pouco de reflexão mais detalhada. É deveras estranho que estes não consigam aceitar a selecção natural e as vantagens evolutivas de algumas mutações e no entanto acreditarem na existencia de algo (deus) sobre o qual não têm qualquer tipo de dados.

Nota: Quando afirmo que 98% do nosso genoma não é codificante, quero dizer que estes 98% não codificam proteinas, não que não possam ter outras funções (de regulação) - o que também não significa que não possam ter sido outrora codificantes (de proteinas).

A Teoria da Evolução não é uma tautologia



A Teoria sintética da evolução não é apenas um conjunto de pressupostos, mas exactamente por ser uma teoria e não uma mera hipótese existem dados que a apoiam - evolução e especiação de bactérias em laboratório, formas intermediárias fósseis, a presença de retrovírus endógenos no mesmo loccus no genoma humano e no do chimpanzé e ainda o facto de apenas 2% do genoma humano ser codificante.

Segundo os “teóricos da tautologia”, a TE diz que os mais aptos sobrevivem, mas define os mais aptos como sendo os que sobrevivem, o que é uma tautologia pois é sempre verdade por definição, mas não pode ser comprovada nem refutada, constituindo uma descrição e não uma explicação.

Isto é tão tautológico como x ser 4 porque o seu dobro é 8 (e 8 pode ser definido como o dobro de 4), o que não é de todo falso, não apenas por definição, mas porque a matemática assim o demonstra - o que não ocorre com uma verdadeira tautologia. No entanto a teoria da evolução não define propriamente os mais aptos como aqueles que sobrevivem, mas como aqueles que têm determinadas características seleccionadas naturalmente consoante o fundo genético de uma população (dependendo também de factores como a deriva genética, que se baseia na segregação alélica, e mutações e isolamento geográfico) que lhe permitem melhor desempenho, o que, volto a repetir, não é um objectivo e sim uma consequencia – assim como 8 não é obrigatoriamente definido como o dobro de 4.


Além de tudo isto, a teoria sintética da evolução tem alguns pressupostos (para não afirmar uma maioria) apoiados por factos e fenómenos, o que, por definição, não acontece com uma tautologia.

No que toca ainda à selecção natural, foram realizados vários estudos em bactérias, pois estas têm uma vida curta para cada geração, possibilitando a sua observação á escala da vida humana e adaptam-se com facilidade (como exemplo, a crise da resistência aos antibióticos). Numa experiencia, foram colocadas estirpes geneticamente idênticas de E. Coli num meio de cultura com certas condições de nutrição. Estas ao longo degerações acumularam novas mutações, de modo a aumentarem a sua taxa de crescimento, mesmo em condições adversas,sendo seleccionados os que sofriam essas mutações benéficas. Só por isto se nota que a teoria da evolução por selecção natural não pode ser uma tautologia, pois é testável - neste estudo pode-se afirmar que foi medida indirectamente uma diferença adaptativa consoante as modificações genéticas (que provocam por vezes alterações morfológicas), o que descarta também o pressuposto de que um organismo tem que estar "todo montado" para funcionar. Temos o exemplo do dito "flagelo incompleto" de Y. pestis, que terá vantagens diferentes do flagelo rotatório. Nese caso, a estrutura tem como função injectar substancias quimicas nas células que ataca.

Além disto, como é que algém pode afirmar que se tratam de decrições e não explicações?

Se as espécies diferem geneticamente umas das outras e algumas dessas diferenças podem afectar a capacidade individual de sobrevivência e reprodução no seu ambiente, então na próxima geração os genes que geram maior capacidade de sobrevivência e reprodução terão mais cópias no fundo genético de uma população. Ao longo do tempo, esta vai-se tornando cada vez mais adaptada, pois é um fenómeno cumulativo. As populações em que não é possivel adaptação, são extintas - isso é real em certos casos, mas não se pode esperar que seja para todos os casos. Não me parece que seja apenas uma descrição. Além disso, há uma área chamada evolução de sistemas bioquímicos, que é bastante recente (ex: estudo da evolução de proteinas a partir de um ancestral comum, como a do fibrinogénio).

Por tudo o que foi mencionado neste texto, o argmento da tatologia não demonstra que a teoria da evolução deve ser descartada sendo tautológica, antes pelo contrário. Esta nem pode ser designada como tautologia, por definição, pois a acção selecção natural é um pressuposto já testado. .

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Evolução vs probabilidades ?



Entendo que a probabilidade de termos sido gerados e termos evoluido ao acaso seja praticamente nula, mas relativamente ás probabilidades, estas também determinam praticamente impossível a selecção aleatória de um planeta com vida (seja de que modo for - seja por geração espontanea, seja por design inteligente) e ainda assim aqui estamos.

As estatísticas mencionadas foram feitas a partir da premissa de que a evolução por selecção natural é fruto do acaso, como o próprio carl sagan – quem efectuou cálculos probabilísticos dessa natureza, afirma na sua obra "Cosmic connection: an E.T. perspective". Esta premissa é falsa.

A selecção natural não é aleatória, não por ser guiada por algo divino, mas sim pela sua própria natureza, pois as pressões selectivas do meio são bastante específicas e funcionam consoante os genes da população. Existe ainda a separação por barreiras geográficas de determinados conjuntos de individuos, em parte responsáveis pela especiação.

Sobre improbabilidade de uma molécula funcional de DNA se formar, tem-se de novo o mesmo problema: probabilidades dessa natureza são calculadas a partir da premissa de que todos esses processos naturais (não só a selecção natural) são exclusivamente aleatórios mas a reactividade de determinados compostos, bem como a geometria das moléculas, pressões do meio externo, tudo isso não é aleatório. Nem todos os processos naturais são aleatórios. Há melhor exemplo disso que a selecção natural? Não há nada de controverso relativamente ás probabilidades na Teoria Sintética da Evolução.

Em relação á problemática das condições do universo aparentarem especificidade para a existência de vida: é mais correcto pensar que existe vida porque as condições são estas - fruto de processos naturais aleatórios e não aleatórios - e não que as condições têm o objectivo de gerar vida; na natureza não há propósito e não há designer, há design inteligente unica e exclusivamente aparente. Até a ciência - e não a filosofia ou a religião - demonstrar que existe um designer inteligente, que projectou tudo o que existe directa ou indirectamente(e como o fez), tanto a hipótese do D.I. como o criacionismo são inconsistentes, não passando de uma mera hipótese (no caso do D.I.) e de religião (no caso do criacionismo - seja de que tipo for).

Quanto ao facto do universo sem vida ser mais provável do que com vida, isto seria verdade se todos os processos naturais fossem aleatórios, sendo de salientar - de novo - que determinados processos físico-químicos naturais não podem ser considerados aleatórios e desse modo não é possível determinar qual a probabilidade de haver vida e de termos evoluido, pois para esses calculos teriam que ser considerados particularmente todos os processos naturais aleatórios e não aleatórios que ocorreram desde o principio de tudo, alguns dos quais são conhecidos, mas muitos permanecem uma incógnita.

Origem do Universo e da Vida: Reflexões



Relativamente á origem do universo, demonstra um total desconhecimento quem afirma que o universo veio do nada, pois não é isso que afirma a teoria do big bang. Esta afirma que partículas de dimensões ínfimas deram origem a outras de maiores dimensões. Não há nenhuma lei ou principio - lógico ou cientifico, que determine que tal não pode acontecer.  




Ainda que exista ou tenha existido um designer (agente pessoal) do universo - o que pelas evidencias é pouco provavel, pois apenas condições favoráveis a determinados acontecimentos naturais (como a vida) nada provam, quanto muito deixam ao critério - mais uma vez: porquê deus? E qual deus? Zeus, Alá, qualquer deus da religião Hindu, o deus judaico-cristão? Há muito por onde escolher. Se um árabe fosse escolher um designer, provavelmente iria escolher Alá. Se um cristão fosse escolher um designer, escolheria o deus do espírito santo ( e da bíblia), mas se essa pessoa vivesse na grécia antiga diria que era Zeus, pois este governava o Olimpo. Então qual deles foi?



Existia Oxigénio livre na Terra no pré-cambrico - periodo no qual se formaram as primeiras biomoléculas. No entanto desconhece-se se no local exacto onde começou a vida as condições de oxigénio eram essas? Além disso não se conhecem todos os factores (terrestres e extra-terrestres) que teriam estado presentes, apenas alguns que podem apontar para uma explicação naturalista, combinando factores exógenos e endógenos ao planeta. Foi demonstrado que a hipótese do rna world não é descartável e pela primeira vez foi produzida uma molécula auto-replicadora que evoluiu em laboratório, tendo sido demonstrado que a influencia da molécula de RNA, por si só, na formação de péptidos é real.
Na realidade já as teorias cientificas sobre a origem da vida evoluiram muito desde a experiencia de Urey-Miller ...


As seguintes referencias podem ser consultadas:

http://www.newscientist.com/article/dn16382-artificial-molecule-evolves-in-the-lab.html
http://www.dailygalaxy.com/my_weblog/2011/04/www.newscientist.com

Pode ainda pesquisar pelo artigo “The Plausibility of RNA-Templated Peptides: Simultaneous RNA Affinity for Adjacent Peptide Side Chains”








foram produzidos nucleótidos em laboratorio através de processo passíveis de acontecer na natureza (com as condições e substancias certas), ou seja, a interação fosfato-hidroxilo pode ocorrer sem 'engenharia'.

 Foram também produzidos alguns aminoácidos e mesmo cadeias de aminoácidos com catalizadores inorganicos.

Foram ainda sintetizadas sequencias curtas de RNA sem usar 'maquinaria' celular, mas sim compostos e reacções passiveis de ocorrer naturalmente.

Existe afinidade directa de moleculas de RNA para certas cadeias laterais de aminoácidos, assim como existem enzimas de RNA que catalizam a formação de ligações peptidicas e entre nucleótidos de cadeias de RNA

Foi estudada a evolução e selecção natural das ultimas em laboratório, obtendo-se uma melhoria funcional bastante acentuada.

Ainda há o projecto da NASA para estudar a hipotese da influencia (espontanea) de compostos aromáticos polinucleares na ordenação de sequencias de bases nitrogenada

Tudo isto sugere que um código genético muito primitivo teria sido formado naturalmente. Obviamente provar que foi isto que aconteceu é muito complexo, pois saber se foi isto que aconteceu sem ter uma maquina do tempo é bastante improvavel.

 É verdade que a formação de RNA nas condições de formação da ribose é muito dificil de atingir, no entanto, talvez a sua formação pressuponha algum nivel de complexidade (de estruturas não vivas), que incluiria determinadas barreiras: "A última controvérsia (...) refere-se ao papel desempenhado pelos minerais na origem da vida. É natural imaginar que os minerais desempenharam algum papel na origem da vida, visto que sempre estiveram presentes, porém, é muito difícil dizer até que ponto foram realmente importantes. Os defensores desta idéia argumentam que os minerais, além de terem agido como concentradores de biomoléculas e polímeros e como catalisadores de reações químicas, podem ter desempenhado um importante papel como: código genético primitivo (modelo de A. G. Cairns-Smith), parede celular e metabolismo (modelo de Günter Wächtershäuser). Minerais obviamente desempenharam algum tipo de papel na origem da vida em nosso planeta,porém, alguns pesquisadores discordam que os mesmos tenham sido tão importantes." ('Algumas controvérsias sobre a origem da vida', Dimas A. M. ZaiaI, *; Cássia Thaïs B. V. ZaiaII - Quím. Nova vol.31 no.6 São Paulo 2008) - poderiam ter existido determinadas 'barreiras' que fossem favoráveis á ocorrencia de determinadas reacções (que dependem de alguns factores como a distancia entre moleculas e interações elctroestáticas).


 
Referencias:
 
 
- Nature. 2009 May 14;459(7244):239-42.

Synthesis of activated pyrimidine ribonucleotides in prebiotically plausible conditions.


 
- PNAS  April 5, 2011  vol. 108  no. 14
Primordial synthesis of amines and amino acids in a 1958 Miller H2S-rich spark discharge experiment
Eric T. Parkera,1, Henderson J. Cleavesb, Jason P. Dworkinc, Daniel P. Glavinc, Michael Callahanc, Andrew Aubreyd,
Antonio Lazcanoe, and Jeffrey L. Badaa,2
 
- Cold Spring Harb Symp Quant Biol. 2009 ; 74: 17–23.
Evolution in an RNA World
Gerald F. Joyce
 
- Science. 2009 February 27; 323(5918): 1229–1232
Self-sustained Replication of an RNA Enzyme
Tracey A. Lincoln and Gerald F. Joyce*
 
- J Mol Evol. 2012 April; 74(3-4): 217–225.

The Plausibility of RNA-Templated Peptides: Simultaneous RNA Affinity for Adjacent Peptide Side Chains

- 'Algumas controvérsias sobre a origem da vida', Dimas A. M. ZaiaI, *; Cássia Thaïs B. V. ZaiaII - Quím. Nova vol.31 no.6 São Paulo 2008


 
 
 
 

sábado, 28 de julho de 2012

Criação vs Evolução ou Criação vs Big Bang?

Por vezes is criacionistas utilizam argumentos contra a teoria do Big Bang na tentativa de desacreditar a Teoria Sintética da evolução.


Será uma visão correcta da situação?
já observei o seguinte argumento: "Nada se cria a partir de si mesmo, mas a Lei da Biogênese diz que Vita ex Vita, logo um Designer vivo poderia gerar vida, um Designer atemporal e onipotente e inteligente, poderia gerar a energia de que precisamos pois a Lei da termodinâmica diz que a quantidade de energia inicial é sempre maior que a final, logo para que o universo fosse gerado do nada, o nada deveria ter uma energia maior que a existente no Universo, como do nada nada vem, o Universo só pode ter sido causado por algo maior que ele, isso concorda com a Lei de Causa e Efeito."
Como é que se sabe as características físico-químicas desse tal designer, um Designer atemporal, onipotente e inteligente? Aliás, conhece-se algum ser vivo com essas características? Um ser vivo com maior energia do que a do universo ou capaz de a gerar? Além disso, segundo a teoria do Big Bang, o universo começou com uma grande quantidade de energia junta. Quanto á causa- efeito, é um pressuposto filosófico e não uma lei científica. No entanto pode-se dizer também por senso comum que tudo tem uma causa, mas por a ciência ainda não ter descoberto a causa de toda essa energia acumulada que se expandiu provocando o big bang, isso não significa que tenha sido deus (tal ser nunca foi observado na natureza nem foi evidenciada a sua presença no universo). Além de tudo isto, mesmo que a teoria do big bang esteja incorrecta não quer dizer que a Teoria Sintética da Evolução também esteja.