quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A burrice criacionista e o fantasma do DNA

Muitas vezes me pergunto: "Como terão os criacionistas evoluído para serem tão burros?" E cada vez que leio os disparates que eles escrevem, volta essa interrogação.

O Jónatas Machado na caixa de comentários do blog "Que treta" escreve o seguinte (1):
"É por existirem no mundo espiritual e não físico que as instruções para a produção e reprodução dos seres vivos, contidas no DNA, têm que ser codificadas para poderem ser descodificadas e executadas por máquinas moleculares também programadas pelo DNA."

É tão grande a confusão na cabeça do Jónatas Machado que eu nem sei por onde é que hei-de pegar...
Talvez por aqui:  "É por existirem no mundo espiritual e não físico que as instruções para a produção e reprodução dos seres vivos (...)" Uau. Por este excerto, parece que o Jónatas Machado pensa que existe uma espécie de fantasma que são as instruções para se produzirem e reproduzirem os seres vivos. Continuando: " (...) contidas no DNA, têm que ser codificadas para poderem ser descodificadas e executadas por máquinas moleculares também programadas pelo DNA." Ao que parece em algum momento ou em vários, o fantasma passou a moléculas de DNA e programou (depois de já ser DNA) máquinas moleculares para voltarem a converter a instruções em fantasma (em vez de DNA), presumidamente para depois passar a proteínas. pff. Acho que comparável a isto, nem a dos "macacos que deviam continuar a evoluir para humanos". Nem mesmo o designer maldoso do Michael Behe que nos declarou guerra biológica com o parasita da malária. Devia ter sido nomeado para "crocopato" com esta frase especificamente e ido á final.

1. http://ktreta.blogspot.pt/2013/01/saber-se-existe.html#comment-form

Ainda o código genético e a origem da vida


Aqui ficam, em resumo, alguns acontecimentos que contribuíram para a origem da vida e do código genético: nucleótidos activados – sequências aleatórias de RNA + membranas lipídicas + osmose + termodinâmica + catálise enzimática + micropéptidos – capacidade de replicação + síntese de péptidos + código genético primitivo (simulações em que um código genético emergiu de vários códigos possíveis) + selecção natural + evolução do código genético.

 
Referências:


- Exploring Life’s origins – “Building a protocell: Fatty acids; Nucleic Acids; Protocells” (http://exploringorigins.org/protocell.html; http://www.youtube.com/watch?v=U6QYDdgP9eg&list=PL0696457CAFD6D7C9) 


Mais informação sobre a origem do código genético:



* Os criacionistas estão muito atrasados: os cientistas já andam a estudar a origem do código genético (com bons resultados) desde 1978.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bill O’Reilly (Criacionista) vs Crianças de 5 anos


Nunca ouviram a expressão “uma criança faria melhor”? No caso de muitos criacionistas, pode-se dizer que se aplica e há mesmo criacionistas, como Bill O’Reilly (Fox News), que parece que nunca puseram os pés numa escola. Vejam se não acreditam:

 
Acho que enquanto as outras crianças ouviam os professores, ele ouvia o seu amigo imaginário (deus).

Evolução vs Design Inteligente: Behe vs. Lynch (Adenda)


EVOLUÇÃO POR DUPLICAÇÃO E MODIFICAÇÕES MULTI-RESIDUAIS


Num texto anterior, em 2012, apresentei uma discussão entre Michael Behe (e Snoke) e Michael Lynch, na revista “Protein Science” que decorreu entre 2004 e 2005 sobre a capacidade dos processos Darwinistas (descendência com modificação e selecção natural) de explicar a evolução por duplicação e modificações multi-residuais. Tenho a clarificar que a principal diferença entre os modelos utilizados por Lynch e Behe é que enquanto que Behe assume que as mutações são deletérias. Lynch, que se baseou em várias linhas evidência, assumiu que estas eram neutras, tendo apontado este modelo (em que os estados intermediários da evolução da proteína envolvem produtos funcionais sem efeitos positivos imediatos sobre a aptidão do organismo) como uma via evolutiva que serve perfeitamente como explicação.
Ainda várias vias evolutivas foram propostas pelo próprio Michael Behe e por Snoke, as quais envolviam fenómenos de inserção, delecção, recombinação e selecção de estádios intermediários. (Acho que o Lynch exagerou um pouco quando afirmou: “Although an alternative mechanism for protein evolution was not provided, the authors are leading proponents of the idea that some sort of external force, unknown to today’s scientists, is necessary to explain the complexities of the natural world (Behe 1996; Snoke 2003).”, pois os autores propuseram alternativas, e não foram “deus fez” ou “o designer fez”.

Referências:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2253472/#snoke-2003 (Lynch)

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2286568/ (Behe e Snoke)

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2253464/ (Behe e Snoke – resposta a Lynch)


Leitura adicional:

http://newtonsbinomium.blogspot.pt/2005/08/bs-model-gets-lynched.html

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2253483/ 

Os católicos, a teoria da evolução e as mutações aleatórias


Normalmente os católicos, tal como os protestantes, não são criacionistas da Terra jovem ao contrário de outras seitas cristãs mais fundamentalistas. A sua posição pode ser descrita como criacionismo progressivo, evolucionismo teísta ou algures no meio dos dois. Tenho encontrado alguns que afirmam que, para eles, onde a ciência nos diz que foi “o acaso”, ou seja, que algo derivou no todo ou em parte de eventos aleatórios, foi deus. Um exemplo são as mutações aleatórias. Um destes belos exemplos é o Michael Behe (para citar um exemplo conhecido). Para ele as mutações são controladas por unicórnios azuis, ups!, eu queria dizer por deus, quero dizer por um designer. Outro exemplo menos “gritante” é o Dr. Kenneth Miller, que não considera necessária a intervenção divina (como todo o bom cientista), mas que acredita que deus intervém. Mas quando observamos as mutações que ocorrem numa população, o que observamos é que estas ocorrem naturalmente e que uma pequena parte é benéfica para os organismos, e que estas são aleatórias no sentido de não serem adquiridas pelo organismo para melhorar o seu desempenho (excepto talvez com algumas excepções), mas que o seu valor adaptativo vai ser determinado segundo o ambiente em que se encontram e a selecção natural pode actuar. Dizer que foi aleatório ou foi feito de propósito por deus não está em pé de igualdade. Os dados de que disponho é que as mutações são aleatórias (ex.: HbS) e que de acordo com o ambiente têm (ou não) valor adaptativo. O que os dados não permitem inferir é que o Monstro do Esparguete Voador ou qualquer deus alguma vez tenha intervindo na nossa evolução.        

A evolução e a genética de populações: A ignorância dos criacionistas


 
 
 
 
Música: Mariah Carey feat. Young Jeezy - Side Effects

Algoritmos genéticos: como funciona a evolução

Aqui fica um video (meu) a explicar como funciona a evolução e o que são algoritmos genéticos:

 
 
Múcica: Fly - Nicki Minaj feat. Rihanna