quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

The Edge of Evolution: revisão II


Uma mutação neutra (ou aproximadamente neutra) pode ser seguida por outra(s) e o conjunto final pode ser benéfico para o organismo ou pode cada uma das mutações trazer algum benefício para este. É assim que a evolução ocorre, ocorre aos poucos. Mas para encaixar nas ideias distorcidas de Michael Behe sobre “tudo ter que estar no seu devido lugar desde o início”, a evolução tem que ocorrer por “saltinhos” em que 2 ou mais mutações têm que ocorrer em simultâneo, com uma probabilidade super baixa. O exemplo utilizado por Behe é o das mutações responsáveis pela resistência do parasita da malária, o Plasmodium falciparum, á cloroquina. Este calculou um valor probabilístico limite que corresponde á probabilidade de 2 mutações ocorrerem em simultâneo. Para Behe mais do que 2 mutações em simultâneo é um acontecimento impossível de acontecer aleatoriamente.  E para que serve tudo isto? Para o Michael Behe lá enfiar o unicórnio do costume (leia-se deus/designer). As suas motivações religiosas são demasiado óbvias. E quando estas, bem como os seus erros óbvios são referidas pelos cientistas (não os criacionistas, os normais como Jerry Coyne e Richard Dawkins) este fica aborrecido (1). O que esperava, um Prémio Nobel por só dizer disparates? Sorry, that’s not gonna happen. Muito trabalho teve o Michael Behe para acabar ridicularizado. Sinceramente…  


Referências:
 
1. http://www.talkreason.org/articles/Coyne.cfm

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Madre Teresa não acreditava em deus


Certas cartas pessoais de Madre Teresa de Calcutá colocaram-na numa posição diferente da conhecida pelo público: Madre Teresa perdeu a fé em deus pouco depois de começar a trabalhar em Calcutá, mas desejava que a fé que abandonou correspondesse á realidade. E tentou acreditar. Em vida (e mesmo depois de morta) era um ícone da ICAR e uma boa figura publicitária. Pena que na realidade ela fosse ateia. A verdade deve doer. 

Na altura em que começou a perder a fé, escreveu: "Where is my faith?" she wrote. "Even deep down… there is nothing but emptiness and darkness... If there be God — please forgive me."

E não fica por aqui – oito anos depois a sua posição podia resumir-se numa única palavra, ateísmo: "Such deep longing for God… Repulsed, empty, no faith, no love, no zeal," afirmou.

Está em aberto um processo de canonização. Se a canonizarem será algo irónico: uma ateia canonizada. Gostava de ver isso.

Madre Teresa era também caracterizada pela sua tolerância para com outras religiões como o hinduísmo e o islamismo e pela sua posição “pró-vida” relativamente ao aborto.


Referências:


A origem do DNA e o código (outra vez…)


A informação no DNA e a origem deste:

“ (…) um graminha de DNA, que armazena 2,2 biliões de gigabytes, que precisa de várias peças funcionando ao mesmo tempo –Esse não! Surgiu por acaso, sem a necessidade de um projeto…", é o que se pode ler no blog “Considere a possibilidade”. O texto seguinte é baseado numa conversa que realmente ocorreu no original (1).

Nenhum cientista disse que era por acaso (que eu saiba). Certamente seria um misto de aleatoriedade e não aleatoriedade. O primeiro teria sido o RNA e depois o DNA que teria sofrido alguma pressão selectiva por ser melhor armazenamento do que o RNA, embora haja a possibilidade de este se formar também espontâneamente a partir de químicos que se supõe terem estado presentes na Terra primitiva, e isso indicaria que este pode ter precedido a vida propriamente dita. Os proto-organismos teriam utilizado os nucleótidos de DNA de modo vantajoso, quando os mantimentos naturais começaram a escassear (2). Das primeiras sequências de RNA provavelmente só muito poucas teriam alguma funcionalidade (ex.: capacidade catalítica) e essas teriam sido as percursoras daquelas que seriam as moléculas de uma proto-célula. Em principio o código genético emergiu de sequências aleatórias e pelas propriedades das moleculas (ex.: afinidade directa para peptidos) e depois foi sofrendo modificações (e selecção natural) e evoluiu para ser o que é hoje.

Mas temos o velho mito do ovo-galinha ressuscitado: “O RNA precisa de proteínas para ser fabricado, mas é fabricado por proteínas. Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? Que processos naturais são conhecidos como plausíveis, capazes de ligar dois nucleotídeos simples de RNA, sem ação enzimática?” – Mas  tudo se resume a uma coisa: “Não sei, portanto, deus fez.” Os oligonucleótidos, cadeias curtas de RNA ou DNA, são sintetizados quimicamente utilizando fosforamidites de nucleósidos naturais ou quimicamente modificados, ou até compostos não-nucleosídicos (3). Sem enzimas. Não quer dizer que foi este o processo na natureza (não sei), mas demonstra que não é obrigatório ser pelos processos que ocorrem nas células com recurso a enzimas e consciencializa-nos para o facto do argumento anterior ser um argumento por falta de imaginação e por ignorância – “não sei” ou “não consigo pensar em como poderá ter sido”, logo “deus fez”. 

Mas: “Afinal, que tipo de processo faz um DNA?” – Para os nucleótidos de RNA:
Os materiais de partida para a síntese são: cianamida, cyanoacetylene, glicolaldeído, gliceraldeído-fosfato inorgânico, que são plausíveis em condições pré-bióticas. Existiriam intermediários de arabinose, amino-oxazolina e anhydronucleoside. O fosfato inorgânico é incorporado nos nucleótidos apenas numa fase tardia da sequência, mas a sua presença desde o início é essencial, uma vez que controla a três reacções nas fases anteriores, actuando como um catalisador de ácido / base de modo geral, um catalisador nucleofílico e um tampão de pH (4). Para os de DNA, já há investigações sobre o assunto e até agora conseguiram descobrir como se pode ter sintetizado um composto semelhante (2).
Relativamente á informação, o DNA tem informação, os cubos de gelo têm informação e os flocos de neve também (qualquer programador dirá o mesmo).


O código (not again!)

“Com certeza, Maria. Os cubos de gelo, quando reunidos, funcionam com base em um código de 4 bases, o qual possui um código semântico, uma linguagem, capaz de formar uma cadeia polipeptídica com vários aminoácidos.” E ainda: “Mas, quando você admite que o DNA surge por aleatoriedade você está me dizendo que uma sopa de letrinhas, dado tempo necessário, produz Os Lusíadas…” – Eu estava a comparar bits de informação e fala-me em códigos e semântica. E Moléculas são moléculas, letras são letras. Moléculas reagem, até se auto-replicam e letras não. O DNA é uma molécula que reage com outras.

 
E continua com a comparação do DNA a textos e línguas: "O fato de você não enxergar linguagem no DNA revela o quanto você está entendendo tudo errado… Os nomes das fases de síntese proteica: “transcrição” e “tradução”." – Isso é por analogia e nada significa. Tudo bem, podem chamar-lhe código, podem chamar-lhe linguagem á vontade. Continuam a ser moléculas que reagem com outras.

Mas não há como afirmar que não se trata de moléculas que reagem com outras: "Proteases e proteínas são moléculas que reagem umas com as outras; ferro (Fe2) e oxigénio (O2) são moléculas que reagem umas com as outras; mas não DNA E RNA. Elas regulam (regem, estabelecem, controlam…" – Ou seja, reagem (com as helicases, com os factores de transcrição, etc); isso tudo é através de reacções químicas.

E acabou assim: “Se para você um mapa metabólico é essencialmente igual à oxidação do ferro, realmente você não tem imaginação, Maria. Você olha, mas não vê. Curioso…” – Igual não é, mas continuam a ser moleculas a reagirem com outras.


E agora pasmem: a pessoa que afirmou que o DNA não é uma molécula que reage com outras é um professor de biologia. Das duas uma: ou esteve a dormir nas aulas de bioquímica e de genética molecular ou então é desonesto.

*Nota: muitas expressões/frases foram transcritas tal e qual como estavam no original.


Referências:




4. “Synthesis of activated pyrimidine ribonucleotides in prebiotically plausible conditions.” (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19444213)

Homologia e homoplasia


Semelhanças (nas sequências de DNA e proteínas, estruturas anatómicas…) são devidas a processos evolutivos (ex.: evolução convergente, recombinação) ou ancestralidade comum. No segundo caso trata-se de homologia propriamente dita e no primeiro trata-se homoplasia. Isso pode gerar confusão.

Ao inferir ancestralidade comum, deve-se usar métodos que permitam escolher entre ancestralidade comum e evolução. E no estudo sobre a probabilidade da ancestralidade comum universal (LUCA) e nos estudos filogenéticos de um modo geral, isso verifica-se (1, 2). Por exemplo, uma estrutura homoplásica que evoluiu várias vezes foi o talo suculento dos catos (2).  

Deparando-nos com esse obstáculo (se assim se pode designar), voltar ao século XVIII (antes da Darwin), como certos criacionistas propõem (3) não é solução. A resposta não está em pôr mãos ao ar e dizer “deus fez”. Isso ainda é pior. Mesmo que a teoria da evolução não explicasse tudo, não seria certamente um livro escrito por ignorantes da idade do bronze que explicaria.  Continuar a investgar, seja em que situação for, é o procedimento correcto em ciência. E dizer “deus fez” é desistir, não é investigar. 

 

Referências:



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Por quanto erraram os criacionistas?


Os criacionistas estão errados a respeito de muita coisa (quase tudo), por exemplo "o olho é irredutivelmente complexo e por isso não pode ter evoluído", mas relativamente á idade da Terra, por quanto erraram os criacionistas da Terra jovem? De acordo com Richard Dawkins, o erro (de 6-10.000 anos para 4,6 mil milhões de anos) é equivalente a dizer que a distância de New York a S. Francisco é de 28 pés (~ 8,5 metros). Aqui está uma ilustração da evolução do olho e um excerto de uma palestra com Richard Dawkins a apresentar a dimensão do erro relativo á idade da Terra:




Blown Out Of The Water: "Irreducible Complexity"
http://www.youtube.com/watch?v=e8Tx6egn2TI

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Estou farta da evolução, estou farta do criacionismo


Estou farta da evolução. Mas sobretudo, estou farta do criacionismo. Estou mesmo muito, muito farta. Os criacionistas não aprendem. Têm uma profunda aversão á aprendizagem, á ciência e ao progresso. Para eles, tudo o que precisam de ler e aprender são os textos da Bíblia. E o pior é que pensam que sabem mais do que cientistas que dedicaram as suas vidas ao estudo das origens. Isto desanima… Quanto á evolução, estou farta do mesmo assunto de sempre; sobretudo estou farta da luta para que as pessoas que lêem percebam que não há pé de igualdade entre evolução e criacionismo do D.I., que não há 2 teorias, mas apenas uma teoria e uma crendice aceite por fé e por ser compatível com a ideia de deus e apoiá-la. Já para não falar da treta do código… Por outro lado, esta abordagem tem-me trazido alegrias e motivos para me rir um pouco, como por exemplo: um criacionista a dizer que não há explicação científica para as marés, outro a dizer que divergência e especiação não contam como evolução, outro a comparar “primos” para estabelecer limites da evolução molecular e ainda a aprendizagem sobre as origens (extra o que aprendi na faculdade).

Acho que durante uns tempos não vou andar por aqui, primeiro porque vou ter exames, e segundo porque preciso de uma pausa (grande) com kit-kat.      

Criacionismo: concurso “Crocopato” Dourado 2013 - A grande final

Vou indicar os escolhidos entre os finalistas para o prémio "Crocopato" Dourado 2013:

- Crocopato Dourado:

* Gauger e Axe, 2011 (o mais semelhante ao crocopato original e muito conhecido)


- Crocopato Pigmeu:

* Daniel Ruy Pereira (concepção errada da própria teoria da evolução; bom para me rir um bocadito)

*Parabéns aos vencedores!*