domingo, 17 de fevereiro de 2013

A ciência e o mundo de sonho do criacionismo:


Vou fazer uma comparação entre a realidade do conhecimento científico e a “realidade” dos criacionistas:

1.) Ciência:

A evolução pode ser representada como uma árvore que se ramifica (embora existam excepções). É um processo em que as populações se adaptam ao seu ambiente.

Criacionismo:

A evolução é uma escadinha, em que a espécie no topo é a vencedora, a mais evoluída (o ser humano, neste caso).


2.) Ciência:

A evolução é um processo incremental que ocorre por mutações aleatórias e por selecção natural, a qual não é aleatória – características favoráveis hereditárias tornam-se mais comuns ao longo de gerações, espalhando-se por uma população de organismos que se reproduzem sexuada e/ou assexuadamente, e características desfavoráveis hereditárias tornam-se menos comuns. Deste modo, não é de forma alguma improvável.

Criacionismo:

A evolução tem uma probabilidade muito baixa de ocorrer e é totalmente aleatória (ex.: William Lane Craig no debate com o falecido Christopher Hitchens (*A))
 

3.) Ciência:

A macro-evolução ocorre a nível de espécie ou acima

Criacionismo:

A macro-evolução consiste na transição de um “tipo” criado para o outro, sem definirem convenientemente o termo, mas rondando a mudança de classe.  

 
4.) Ciência:

Especiação e divergência entre populações são exemplos de evolução

Criacionismo:

Especiação e divergência entre populações não são exemplos de evolução


5.) Ciência:

O Universo surgiu do nada, só lei físicas, como consequência da lei da gravidade (Stephen Hawking)

Criacionismo:   

O Universo não pode vir do nada sem ter sido criado por deus  

 
6.) Ciência:

As evidências apontam para uma origem natural da vida, a partir de moléculas orgânicas, embora os cientistas estejam longe de conhecer todo o processo

Criacionismo:

Os cientistas não sabem como a vida começou, logo foi deus que criou a vida.

 
8.) Ciência:

Pode-se medir a informação numa molécula de DNA, num genoma, num cubo de gelo, num floco de neve, em tudo (por exemplo, um floco de neve, teria muita informação)

Criacionismo:

O DNA tem muita informação codificada, logo foi criado por deus.

 

*A.) Esta até me pôs doente:

 
 
P.S. Provavelmente se um criacionista aparecer por aqui, este vai pensar: "Mas isto não é á realidade da ciência, mas sim a do ateísmo". A verdade é que o ateísmo é a descrença em deus (es) e se o ateísmo for verdadeiro, tudo o que vemos pode ser explicado por causas naturais - e a ciência demonstra que coisas dificílimas de explicar e que antes eram atribuídas a deuses podem ser explicadas por causas naturais  
 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Para descontrair...


Love the way you lie (Eminem feat. Rihanna)

Original:



Paródia:
 
 
«You're a fart face, I don't like you no more» Really?!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Fadas do jardim, evolução química e racionalidade


Fadas do jardim e evolução química

Hoje deparei-me com o seguinte num blog criacionista (1): «3 - A evolução química, todos os cientistas estão de acordo, até nos livros de ensino médio, por incrível que pareça, já vem com esse conceito. Não houve tempo suficiente para o surgimento da vida na terra (#fato), e está em desacordo com a probabilidade que é um dos cinco elementos básicos da formulação de uma hipótese científica (…)» (sic) Os cientistas não sabem ao certo como surgiu a vida na Terra, apenas os tipos de alguns dos eventos que devem ter ocorrido e mesmo essas noções podem estar erradas – visto isto, não podem saber ao certo se houve tempo ou não. Quanto ás probabilidades, pelo que eu sei, é uma estupidez calcular a probabilidade de uma célula completa, pois esta não surgiu espontaneamente já toda formada e calcular a probabilidade de uma certa sequência de aminoácidos ou nucleótidos também – qualquer sequência aleatória de 20 aminoácidos tem uma probabilidade baixíssima de ocorrer ao acaso (sem considerarmos quaisquer dados com relevância estatística), assim como uma sequência deliberadamente escolhida por fadas do jardim para um propósito todo xpto, mas isso não interessa, até porque podem existir muitas que sirvam para um proto-ser vivo e não apenas uma ou duas, o que interessa é descobrir como os polímeros se formam. Então, temos a policondensação, com a formação de várias moléculas intermédias, por exemplo ácido piroglutamico a partir de ácido glutamico, originando oligomeros em condições plausíveis para uma Terra pré-biótica (2). Se um criacionista fosse calcular a probabilidade de um oligomero formado naturalmente por este processo, diria que um designer inteligente teria que ter escolhido cada um dos aminoácidos e que os ter colocado na ordem correcta.
Mais uma coisa: pela lógica dos criacionistas o bridge é impossível, mas os jogos de bridge acontecem várias vezes em vários cantos do mundo – o deus deles deve andar muito ocupado com tanto jogo de bridge por aí.  


Fadas do jardim e racionalidade

Ainda no mesmo blog, estava também escrito: «4 - Surgimento da razão. Se eu sou fruto da necessidade e do acaso, eu sou fruto do irracional, nesse caso, nossa discussão não faz o menor sentido, pois nada me garante que somos racionais nesse momento. Enquanto os Teístas acreditam serem frutos da Razão (Mente Inteligente), nesse caso a própria razão se justifica, pois se eu sou fruto do irracional a razão não se justifica.» (sic) Do facto de alguém ser fruto de processos naturais não segue que este não é/não pode ser racional. De qualquer modo isso é irrelevante, pois sabemos que a evolução ocorreu, que somos fruto de processos naturais e que jardins bonitos não precisam de ter fadas.

Referências:


 
P.S.: Desta vez abordei a questão da origem da vida sem ter que mencionar a treta do código - que bom!
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Curiosidade: Dia de Darwin

Darwin nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1809 e Abraham Lincoln nasceu exactamente no mesmo dia.

Evolução: do Autralopithecus ao Homo II – o status do Australopithecus sediba


O Australopithecus sediba é a espécie do género Australopithecus com mais características em comum com espécies do género Homo, com um reduzido número de caracteres cranianos em comum com o Homo erectus que não aparecem no H. habilis, nem no H. rudolfensis, por exemplo, a convexidade da região infra-ocular, embora com uma capacidade craniana muito menor do que a do H. erectus. A sua posição filogenética tem sido discutida e há 4 hipóteses a considerar á luz dos dados actuais: 1) A. sediba é ancestral do H. habilis; 2) A. sed­iba é ancestral do H. rudolfensis; 3) A. sediba é ancestral do H. erectus; ou 4) A. sediba é um grupo irmão ao do ancestral do Homo (semelhante a este). Se A. sediba for um ancestral do género homo, a melhor opção por agora é apontar para a ancestralidade relativamente ao H. erectus, devido ao facto da credibilidade dos fósseis do H. habilis e do H. rudolfensis estar a ser posta em causa – pode ter ocorrido um erro (diferente de fraude) na montagem dos fósseis.

 
Referências:

 
Australopithecus sediba and the earliest origins of the genus Homo, Lee R. Berger, Journal of Anthropological Sciences  - Vol. 90 (2012), pp. 1-16

Australopithecus sediba: A New Species of Homo-Like Australopith from South Africa, Lee R. Berger et al. Science 328, 195 (2010);

Evolução: equilíbrio pontuado e especiação rápida


A evolução demora tempo, mas nem sempre tanto como Darwin pensava.

Eldredge e Gould propuseram que o grau de gradualismo normalmente atribuído a Charles Darwin não é apoiado pelo registo fóssil. A hipótese do equilíbrio pontuado propõe que mudanças morfológicas podem ocorrer rapidamente e estão associadas a eventos de especiação. O equilíbrio pontuado está associado ao conceito de Ernst Mayr de evolução por especiação alopátrica (geográfica). A especiação alopátrica sustenta que pequenas populações isoladas são geneticamente dissociadas dos efeitos do fluxo genético e podem rapidamente irradiar. Se a maioria evolução acontece nestes casos de especiação alopátrica, então as evidências de evolução gradual devem ser raras.

Vários métodos têm sido desenvolvidos para se inferir equilíbrio pontuado a partir de filogenias moleculares, na ausência de dados paleontológicos. Estes métodos essencialmente testam se a variação nos fenótipos entre as espécies existentes é melhor explicada por tempo evolutivo desde ancestralidade comum ou pelo número de eventos de especiação.

 
Referências:


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Evolução: quando as “galinhas” tinham dentes


Jeholornis é um pássaro primitivo, dos mais antigos que foram encontrados.

Jeholornis prima não tinha dentes na maxila, e tinha apenas alguns dentes na mandíbula, uma longa cauda óssea com ossos individuais como os dinossauros, penas e dedos das asas mais curtos do que os do Archaeopteryx. Mais uma vez, as características apoiam a descendência de dinossauros teropodes, com ênfase na cauda de dinossauro. E desta vez, os investigadores Zhonghe Zhou e Fucheng Zhang do Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology em Beijing certificaram-se de que os fósseis eram autênticos, para não acontecer o mesmo que com o Archaeoraptor, que foi falsificado por um camponês que o vendeu, por isso ninguém tem do que reclamar.



Fóssil do Jeholornis, com a sua enorme cauda óssea com vértebras individuais.


Referências

http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00114-003-0416-5# (dá para ver tudo se clicar no botão “Look inside”)