segunda-feira, 1 de abril de 2013

"All the violence of god." Galt Aureus – Monolith




In the statuette,
you saw a monolith;
before the silent altar,
you hear commandment;
at the deepest well,
where your victims slept,
every chamber filled,
their gunpowder wet

She tore the teeth out
of every beast she called upon.
She's sewn a jaw now,
for all the violence of god.

In the statuette,
you saw a monolith;
before the silent altar,
you hear commandment;
at the deepest well,
where your victims slept,
every chamber filled,
their gunpowder wet;
you beg forgiveness,
of your statuette,
and pile the bodies up:
to see your monolith.

She scrapes the skin bare,
she strips our figures to the bone.
She's too deep in to forsake him:
the toothless god I know is only stone.

domingo, 31 de março de 2013

Origem da vida: Abiogénese II


Este texto é o desenvolvimento de um texto anterior sobre os estudos do Dr. Jack W. Szostack e colegas, no qual foi também apresentado um vídeo com um resumo.
Sob certas condições de pH, ácidos gordos formam vesículas espontaneamente, permeáveis a pequenas moléculas orgânicas. A vesícula pode incorporar ácidos gordos livres. As vesículas podem tornar-se filamentosas e pode então ocorrer a divisão mecânica ou por iluminação de vesículas com hidroxipireno (1). Os polímeros orgânicos seriam capazes de se formar naturalmente (como já foi referido anteriormente noutros textos sobre o mesmo assunto), bem como os seus constituintes, nucleótidos e aminoácidos (por exemplo, na experiência de Miller). Um dos possíveis polímeros seria o DNA fosforamidato (fosforamidato: fosfato com um grupo OH substituído por um grupo NH2) (2). Teria que ter surgido, então uma molécula auto-replicadora, para mais tarde poder evoluir. É química, pura e simples. Quando a polimerização ocorre dentro da vesícula o polímero fica preso (esta é permeável a pequenas moléculas - monómeros, mas não polímeros). O aumento da temperatura pode aumentar a permeabilidade e assim que arrefecer pode ocorrer de novo polimerização. Umas vesículas podem roubar os ácidos gordos de outras e começa a competição. Além disso, replicadores mais rápidos iriam dominar a população (3,4).  

Relativamente ao complexo de tradução (ribossomas), este é constituído por mais de 50 proteínas (com 2 subunidades – maior e menor) e RNA, sendo a compreensão da sua origem muito importante. Cientistas inferiram que o centro peptidil tranferase evoluiu pela duplicação de pequenas moléculas primitivas de RNA (RNA minihélice), formando moléculas semelhantes ao nosso tRNA (5).

Referências:

sábado, 30 de março de 2013

A informação, os criacionistas e as confusões do costume

Passei pelo blog "Darwinismo" e lá estava outro texto a apelar para a falta de modificações que aumentassem a informação genética:

«O problema é que nem toda a mudança é evolutivamente relevante visto que a teoria da evolução requer um tipo específico de “mudança” – uma que aumente a informação genética da forma de vida.» A isto só respondi: duplicação de genes + divergência = gene novo/ aumento de informação. Como resposta de um outro comentador obtive o mesmo tipo de ignorância e confusão do costume: «Um gene novo em si já significará o que?

Que um sapo ganhará uma asa?» Os sapos ganharam asas? Dessa não sabia. Não sabia porque de facto não aconteceu. E sempre gostava de saber porque é que é importante para a questão do aparecimento de novos genes e do aumento da informação a porcaria das asas. Acho que não é nada importante. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Do nada, nada vem?


No Que treta li um texto (1) sobre o argumento a favor da existência de deus, partindo da premissa de que algo não pode surgir do que não existe, sendo a não existência de coisas designada neste caso por “nada”. É claro que definir nada deste modo não tem nada de mal (como Ludwig Krippahl notou no texto do Que treta). Mas, como também é apontado no texto, que uma coisa que existe não pode vir do nada é apenas especulação e é contrariado pelas evidências (2), as quais indicam que isso acontece espontaneamente e é um fenómeno abundante (o exemplo das partículas virtuais).

O argumento é assim (3): “ (…) não pode regredir perpetuamente para o passado, e tem que principiar em algo eterno, ou seja, em algo que sempre existiu. Porque se tudo o que existe fosse não eterno, então a certa altura do passado, nada existiria. E tomámos como premissa que do nada, nada vem. Pelo que se, a certa altura do passado, nada existiria, então porque do nada, nada vem, hoje nada existiria. Mas vemos que existem coisas, pelo que tem que haver alguma (pelo menos uma) coisa que sempre existiu. Pode existir uma coisa eterna apenas, ou podem existir várias coisas eternas, mas tem que existir pelo menos uma coisa eterna.E se repararem bem tudo assenta na premissa que do nada, nada vem, a qual é no mínimo puramente especulativa (e no máximo falsa). William Lane Craig também utilizou este argumento relativamente á origem do universo no debate na Universidade North Carolina com o físico Lawrence Krauss (4). 


Referências:

  1. http://ktreta.blogspot.pt/2013/03/treta-da-semana-passada-o-argumento-do.html
  2. Gordon Kane,Are virtual particles really constantly popping in and out of existence? Or are they merely a mathematical bookkeeping device for quantum mechanics?, scientific American, 9/10/2006 (referenciado no texto do Que treta)
  3. http://espectadores.blogspot.pt/2012/12/demonstrar-existencia-de-deus.html
  4. William Lane Craig vs  Lawrence Krauss, Universidade North Carolina, 30/3/2011 (http://www.youtube.com/watch?v=TqANWuXQ3Z0http://www.reasonablefaith.org/the-craig-krauss-debate-at-north-carolina-state-university) 

De boleia até á especiação


Aquando da especiação ecológica (adaptativa) desenvolvem-se incompatibilidades reprodutivas entre os indivíduos das duas populações. Esta adaptação pode desempenhar um papel fundamental nas incompatibilidades reprodutivas, tendo sido proposto um efeito colateral pleiotrópico (1) da adaptação. Um exemplo que apoia a importância da adaptação é o de uma população de plantas do género Mimulus (“monkeyflowers”), as quais desenvolveram tolerância ao cobre e incompatibilidade reprodutiva através da morte de híbridos aquando dos cruzamentos com outras populações originalmente da mesma espécie. No entanto este caso não se deve a pleiotropia (1), mas sim ao facto do gene associado ao problema dos híbridos estar ligado á tolerância ao cobre, espalhando-se até se fixar na população por hitchhiking ou draft (“efeito boleia”) (2).

Notas:
 
1. Pleiotropia: quando um gene influencia mais do que uma característica.
 
2. Hitchhiking ou draft (“efeito boleia”): processo pelo qual a frequência de um alelo ligado (próximo, com tendência a ser herdado junto) a outro que se encontra sob selecção pode aumentar numa população.    

 
Referências:


 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Especiação e parasitismo


Várias características que são alvo de selecção natural e sexual são considerados os factores preponderantes das radiações adaptativas. Parasitas e outros elementos patogénicos podem iniciar ou acelerar o processo de especiação, estando na origem da selecção (natural e sexual): diferentes populações tem níveis diferentes de infecção e estes causam selecção divergente, facilitam a divergência adaptativa e esta por sua vez facilita a evolução do isolamento reprodutivo e temos então a formação de 2 espécies distintas a partir de uma só (1).

Um estudo sobre peixes da família Cichlidae no Lago Vitória sugeriu que a selecção sexual mediada por parasitas pode ter contribuído para a divergência de preferências sexuais femininas pela coloração masculina, fortalecendo o isolamento reprodutivo (2).

Compreender o(s) processo(s) de especiação é um dos objectivos da biologia moderna, bem como compreender a origem de novas estruturas moleculares. E os cientistas estão a ser bem sucedidos até agora. Quanto aos criacionistas, podem continuar a refilar e a queixar-se, pois a única coisa em que são bem sucedidos é fazer barulho e armar confusão. 

Referências:


2. Referência nº 25 do anterior

terça-feira, 26 de março de 2013

Evolução de proteínas II


Há algum tempo descobri ao vaguear pelo pubmed um artigo interessante sobre evolução de proteínas (1).
No estudo sequenciaram-se genes parálogos e ortólogos em peixes cartilagíneos e foram reconstruídas proteínas ancestrais, o que permitiu analisar as modificações que ocorreram ao longo do tempo, incluindo a divergência sequencial. As proteínas em estudo são receptores de hormonas glicocoricoides (GR) e mineralocorticoides (MR), proteínas que surgiram por duplicação de genética há aproximadamente 450 milhões de anos. Obviamente as proteínas divergiram e passaram a desempenhar funções diferentes na fisiologia animal.  
As MR são activadas pela ligação á aldosterona, desoxicorticosterona e cortisol. As GR são activadas por quantidades elevadas de cortisol. Os investigadores reconstruíram o precursor destes, AncCR, que seria semelhante ao MR (várias hormonas em baixas concentrações). Aqui está a filogenia:

  

É giro não é? Mas eu também encontrei um artigo de PZ Myers no seu blog Pharyngula (2) sobre este estudo (onde se pode ler uma descrição mais detalhada). E aí fiquei a saber que 2 criacionistas (Gauger e Axe) também tinham investigado a evolução de proteínas, comparando 2 proteínas actuais e dizendo que uma não pode ter evoluído para a outra. O pior é que isso não é uma hipótese alguma vez proposta por um biólogo que estude a evolução. Elas são “primas”, nenhuma descende da outra e de facto essa transição nunca ocorreu, portanto não interessa. Talvez por isso os criacionistas não tenham submetido o artigo a revisão de pares.  

Referências:
1.      Carroll SM, Ortlund EA, Thornton JW (2011) Mechanisms for the evolution of a derived function in the ancestral glucocorticoid receptor. PLoS Genet.7(6):e1002117. Epub 2011 Jun 16 (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3116920/)