Não gosto muito do termo acreditar para indicar que se aceita algo com base em evidências. É que acreditar pode ser sinónimo de ter fé, o que normalmente é conotado com a religião, isto é, com aquilo em que se acredita sem se ter evidências. Eu prefiro o termo "aceitar" ou se estamos num diálogo corriqueiro, prefiro o dizer "penso que". Normalmente o termo "acreditar" é usado em expressões como "acreditar em deus", "acreditar na ressurreição de Jesus", "Acreditar em fantasmas" e coisas do género - tudo isto sem evidências.
Todas as crenças que anteriormente exemplifiquei são injustificadas e vão contra todo o trabalho em ciência que já foi feito até hoje. Mas é claro que para os religiosos não há problema nenhum. Se for preciso ignoram a ciência só para continuarem a ser cristãos ou muçulmanos, etc.
Mas o maior problema da religião é que se parte do pressuposto de que aquilo que está na Bíblia está correcto, que a bíblia é a palavra de deus e que esse deus realmente existe - isso é completamente anti-científico, pois é uma crença à priori naquilo que se devia demonstrar através de evidências. É claro que alguns mais inteligentes apercebem-se de certos becos sem saída, como o relato de génesis, por exemplo, mas eles continuam a dizer que está correcto que deus criou o universo (pelo menos alguma coisa tem que estar bem, certo?), mas que o resto é apenas parte de uma metáfora para indicar isso mesmo. Mas mesmo assim continuam a acreditar que deus (o seu deus particular, que voltou à terra e foi o próprio filho durante 33 anos, entre outras peripécias) criou o universo sem qualquer evidência. Nada. Tem que estar certo porque "está" na Bíblia, porque a Bíblia é a palavra de deus. E continuam a andar em círculos, pela salvação das alminhas, para que não ardam no fogo do inferno. Irracional. Ridículo. Risível. Como em tudo no cristianismo, estes três atributos não ficam de fora.
Mas como diria o Richard Dawkins, a religião é um efeito colateral de uma coisa selectivamente muito vantajosa: a obediência à autoridade. É irracional, ridícula, anti-científica, mas está associada a um comportamento extremamente vantajoso. Isto talvez explique como esta se encontra tão generalizada na população humana. Mas não deixa de ser ridícula e irracional, assim como as alergias não deixam de incomodar só por estarem associadas a vantagens evolutivas. Já não sei é qual destas duas coisas me incomoda mais.
sábado, 10 de agosto de 2013
Evolução de proteínas III: o papel da duplicação e da evolução neutra
Ultimamente têm sido
conduzidos trabalhos de investigação sobre a origem da complexidade e função
proteica.
Em 2011 foi publicado um
artigo na revista Nature sobre a evolução das estruturas da ATPase de células
de fungos. Um dos líderes da investigação é Joseph W. Thornton, da Universidade
de Oregon (autor de um óptimo artigo sobre o qual já falei aqui no blog, também
sobre evolução de proteínas – Evolução de proteínas II). Nos
fungos (Agaricus bisporus), as células têm que mover os átomos de um lugar para
outro. Uma das maneiras de fazer isso é com bombas moleculares, os complexos
ATPase vacuolar. Um anel de proteínas lança átomos de um lado de uma membrana
no fungo para o outro. Este anel é claramente uma estrutura complexa. Ele
contém seis moléculas de proteína: Quatro das moléculas consistem da proteína
Vma3, quinto é a Vma11 e o sexto a Vma16. Todos os três tipos de proteínas são
essenciais para o anel de girar.
Para saber como essa estrutura
complexa evoluiu, os cientistas compararam as proteínas relacionadas noutros
organismos, como animais (fungos e animais compartilham um ancestral comum que
viveu há cerca de um bilião de anos).
Nos animais, os complexos de
ATPase vacuolar também têm anéis feitos de seis proteínas. Mas esses anéis são
diferentes dos anéis dos animais: em vez de ter os três tipos de proteínas nos
seus anéis, têm apenas duas. Cada anel da proteína animal é constituído por
cinco cópias de Vma3 e uma de Vma16. Os fungos são mais complexos do que os
animais, pelo menos quando se trata de seus complexos ATPase vacuolar.
Os investigadores olharam
atentamente para os genes codificantes responsáveis pelas proteínas do anel. A
Vma11, a proteína exclusiva dos fungos, acaba por ser um parente próximo da
Vma3 em animais e fungos. Os genes para Vma3 e Vma11 devem, portanto,
compartilhar um ancestral comum. A equipe de Thornton concluiu que no início da
evolução dos fungos, um gene ancestral das proteínas do anel foi acidentalmente
duplicado. Dessas duas cópias, uma evoluiu para Vma3 e outra para Vma11.
Ao comparar as diferenças
entre os genes para Vma3 e Vma11, os cientistas reconstituíram o gene ancestral
do qual ambas as proteínas (Vma3 e Vma11) evoluíram. Depois usaram a sequência
de DNA em causa para criar uma proteína, reconstituindo uma proteína de 800
milhões de anos de idade. Thornton e a sua equipa chamaram a esta proteína
Anc.3-11. Então, os cientistas quiseram saber como o anel de proteína funcionava
com esta proteína. Para descobrir, inseriram o gene para a Anc.3-11 no DNA duma
levedura. Eles também “desligaram” os seus genes descendentes (Vma3 e Vma11), o
que numa situação normal seria letal. No entanto foi descoberto que as leveduras
poderiam sobreviver com Anc.3-11
a substituí-los, com anéis totalmente funcionais.
Então: os fungos começaram
com anéis feitos de apenas duas proteínas - as mesmas encontradas nos animais
(como nós, humanos). As proteínas eram versáteis, capazes de se ligar a si ou
aos seus parceiros, juntando-se a proteínas ou à sua direita ou à sua esquerda.
Mais tarde, o gene para a Anc.3-11 foi duplicado, originando-se a Vma3 e a Vma11.
Estas novas proteínas continuaram a fazer o que as antigas faziam. Mas ao longo
de milhões de gerações de fungos, começaram a sofrer mutações. Algumas dessas
mutações reduziram a sua versatilidade. A Vma11, perdeu a capacidade de se
ligar a Vma3 do seu lado dos ponteiros do relógio. A Vma3 perdeu a capacidade
de se ligar à Vma16 do seu lado dos ponteiros do relógio. Estas mutações não
mataram o fungo, porque as proteínas ainda poderiam unir num anel, sendo
consideradas mutações neutras. Mas agora o anel só se pode formar com êxito,
apenas se todas as três proteínas estiverem presentes.
Resumindo: com o tempo,
evoluíram mais partes e, em seguida, as partes adicionais começaram a divergir
uma da outra. Os fungos acabaram com uma estrutura mais complexa do que a dos
seus antepassados.
Outro exemplo de evolução
neutra construtiva é a edição de RNA. Um cenário proposto é o seguinte: uma
enzima sofre mutações, podendo mudar certos nucleótidos do RNA. Esta enzima não
prejudica a célula, nem a ajuda, pelo menos não no início, persistindo. Mais
tarde ocorre uma mutação prejudicial num gene. Felizmente, a célula já tem a
enzima de ligação ao RNA, o que pode compensar essa mutação editando o RNA. Ele
protege a célula dos danos da mutação, permitindo a esta passar para a próxima
geração e disseminar-se pela população. A evolução desta enzima de edição de RNA
e a mutação que se fixou nada teve a ver com a selecção natural e uma vez que
se apoderou da população, já não se puderam livrar dela.
Referências:
- http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-surprising-origins-of-evolutionary-complexity
Einstein não era religioso
Albert Einstein era panteísta, ou talvez pandeísta (*).
Não acreditava num deus pessoal, como o deus judaico-cristão. No entanto, foi criado o mito de que Einstein era religioso, sobretudo devido a esta sua frase: "Deus não joga dados com o Universo".
Não acreditava num deus pessoal, como o deus judaico-cristão. No entanto, foi criado o mito de que Einstein era religioso, sobretudo devido a esta sua frase: "Deus não joga dados com o Universo".
Uma carta escrita por Albert Einstein em 1954, foi vendida a
um comprador desconhecido on-line por 3,000,100.00 dólares americanos. Nesta, a
chamada "Carta de Deus" (“The God Letter”), Einstein abordou temas
como a religião, o tribalismo – e a sua descrença no deus bíblico.
Este documento histórico é particularmente importante porque
vem esclarecer o significado da frase supra-citada. Os historiadores suspeitam
que ele usou o termo como uma espécie de metáfora para coisas como as leis da
física, ou mesmo a totalidade do próprio cosmos.
O excerto que fala sobre a sua posição relativamente á
religião (especialmente ao judaísmo) é o seguinte:
* Nota: Pandeismo é uma doutrina teológica, que
combina aspectos do panteísmo e deísmo: o criador do universo, na verdade,
tornou-se o universo, e por isso deixou de existir como uma entidade separada e
consciente.
Site consultado:
P.S.: Lembrem-se disto quando resolverem vir com a conversa
do “Cientista X era religioso”.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Alergias evolutivas
As alergias incomodam muita gente. Incluindo eu própria.
Incomodam até mais do que o criacionismo. No entanto investigadores têm tentado
descobrir uma possível vantagem evolutiva para as reacções alérgicas.
Relembrando as minhas aulas de imunologia, uma hipótese foi proposta com base
no envolvimento das IgE (sistema imunitário adaptativo) tanto na defesa contra
parasitas intestinais, como na reacção alérgica, a qual afirma que as IgE evoluíram
para nos proteger dos parasitas e as alergias eram um efeito colateral dessa
evolução. Mas há mais: num um artigo publicado em Abril de 2012 na revista
Nature, Medzhitov e os seus colegas argumentam que as alergias surgiram para
nos proteger de substâncias potencialmente tóxicas no meio ambiente ou em alimentos. Por outras
palavras, não são apenas uma desorientação do sistema imune. O investigador
explica: "Como é que alguém se defende contra algo que inala que não quer?
Faz muco. Faz o nariz escorrer, espirra, tosse. Ou se é na pele, induz a
sensação de comichão, para ser removido, arranhando". Da mesma forma, se
ingerir algo prejudicial, o corpo pode reagir com vómitos.
Entre as evidências Medzhitov cita um estudo de 2006 publicado
na revista Science, que relatou que as células-chave envolvidas em respostas
alérgicas degradam e desintoxicam o veneno de cobra e de abelha. E um estudo de
2010 publicadono Journal of Clinical Investigation sugere que reacções alérgicas
às secreções da carraça evitam as pragas de fixação e alimentação.
Esta pode coexistir sem problemas com a ressuscitada
hipótese higiénica, que sugere que as pessoas que se deparam com uma série de
bactérias e vírus no início da vida investem mais recursos do sistema
imunológico em respostas do tipo I.
Para quem é alérgico, isto são boas notícias: nem tudo é mau
nas alergias e não somos assim tão disfuncionais.
Mas como evoluíram as moléculas do sistema imunitário
adaptativo? O sistema imunitário adaptativo, em mamíferos, que está centrado
nos linfócitos receptores de antigénios que são gerados por recombinação
somática, surgiu há aproximadamente
500 milhões de anos em peixes da família Opistognathidae.
Acredita-se que tenham contribuído para a génese do sistema imunitário
adaptativo: o surgimento do gene (transposão) de activação da recombinação
(RAG), e duas fases de duplicação do genoma inteiro, numa época próxima da
altura da origem dos vertebrados. Foi recentemente descoberto que algo
semelhante, incluindo duas linhagens de células linfóides, surgiu em peixes sem
mandíbula por evolução convergente.
Em termos de pressões selectivas, uma hipótese que enfatiza
a importância do intestino sugere que, com o advento das maxilas, material
digerido poderia ferir o intestino e, portanto, resultar em infecções maciças.
O sistema imunitário surgiu então como sistema de defesa e tornou-se mais
importante e mais sofisticado, com o surgimento de predadores vertebrados
maiores com mandíbula que tinham poucos descendentes.
Refs.:
Evolução? Os fósseis dizem sim!
Existem várias linhas de evidência da embriologia, da
genética molecular – por exemplo, os pseudogenes (com as mesmas mutações) e
retrovírus endógenos; tudo o que é vestigial e mal adaptado a uma mudança
recente, tal como cobras com membros atrofiados e cavalos com dedos de lado
atrofiados (vestigiais), o facto de nós sermos mal adaptados ao bipedalismo (as
dores nas costas, por exemplo) – tudo isto (e ainda mais) faz com que a
evolução seja a hipótese que mais se adequa ao que é observado e, por
conseguinte, praticamente um consenso entre os cientistas. Há ainda uma linha
de evidências muito importante, que é o registo fóssil.
Pois é, os criacionistas ficam a perder outra vez. Os fosseis
são uma chatice para os cristãos, não são? Mas vamos ao que interessa: a teoria
da evolução faz bastantes previsões e uma delas, relativamente aos fósseis, é
que estes deviam aparecer numa progressão temporal, numa hierarquia de
linhagens e que seria possível relacionar animais modernos a outros mais
antigos e diferentes. Existem 2 modelos diferentes para o aparecimento de novas
espécies, mas que não são mutuamente exclusivos e ambos prevêem que, pelo menos
algumas (poucas) transições de espécie para espécie devem aparecer. Estes
modelos são o equilíbrio pontuado e o gradualismo.
Quanto ás previsões do criacionismo, os criacionistas normalmente
não afirmam quaisquer previsões (pode haver alguma excepção). No entanto,
cientistas já indicaram algumas e é
basicamente o contrário do que prevê a teoria da evolução, sendo de salientar a
previsão de que não deve haver fósseis de transição entre tipos básicos criados
por deus, pois isso é muito subjectivo: tipo básico varia entre espécie e
classe. Mas podemos dar o benefício da dúvida e considerar classe ou ordem (os
mais elevados). Se considerarmos a classe vem logo á memória um dos exemplos
mais conhecidos, que é o género Archaeopteryx que demonstra a transição de répteis
para aves – um dos muitos que demonstram essa transição.
É claro que as previsões da teoria da evolução se verificaram
e as do criacionismo falharam. Vamos ver como:
http://www.talkorigins.org/faqs/faq-transitional.html
(vai ter a um índice do “Talkorigins” da secção de fósseis de transição; não me
apeteceu estar a enumerar fósseis de transição, e visto que já há uma enorme
lista feita, deixo apenas o endereço).
P.S. - Para os criacionistas que aqui aparecerem: não vale apena choramingar no molhado.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Criacionistas psicopatas no blog “Darwinismo”
Hoje vi uma coisa
num blog criacionista (“Darwinismo”) na caixa de comentários, que me deixou
espantada: o criacionista Azetech deixou o seguinte comentário:
«Carlos Natário
– 3 Referências bibliográficas
são meta-referências não isentas , isto é, apontam para paginas
online de fundamentalistas Bíblicos em que este Blog se apoia e suporta. (…)
Proponho-me focar exclusivamente no que vem escrito nas duas únicas referências
jornalísticas (Beatrice Daily Sun e The Tribune) devido à sua maior
capacidade de isenção e não esquecendo obviamente neste texto(…)
Devo presumir que, segundo a tua
cosmovisão, fontes pelo qual apoiam o darwinismo e evolucionismo são
automaticamente considerados Isentos e científicos, correto?
Porém, em contrapartida, ainda segundo tua
cosmovisão, fontes pelo qual questionam o darwinismo e evolucionismo, são
“meta-referências” não isentas, propagada por fundamentalistas fanáticos,
terroristas, inimigos da razão, da ciência e da humanidade, pertencentes a
maléfica religião cristã, pelo qual precisam se extirpadas juntamente com os
religiosos (queimando Bíblias, destruindo templos e fuzilando em um paredão
quem não negar a Cristo)
Não seria isso fanatismo de tua parte
somado com um desejo ditador de imputar suas crenças forçadamente a todos?
Não seria isso fruto de sua revolta intrínseca e ódio contra Deus, Cristo e quem o servem? (sic)»
Não seria isso fruto de sua revolta intrínseca e ódio contra Deus, Cristo e quem o servem? (sic)»
A partir do
pequeno parágrafo escrito pelo Carlos Natário, o Azetech inventou uma série de
coisas que não se podiam depreender pelo comentário do Carlos.
“(…) pertencentes
a maléfica religião cristã, pelo qual precisam se extirpadas juntamente com os
religiosos (queimando Bíblias, destruindo templos e fuzilando em um paredão
quem não negar a Cristo) (sic)”? De onde é que este psicopata foi tirar isto?
Acho que já descobri a doença mental do Azetech: paranóia. Ele tem a mania da
perseguição relativamente a ele próprio e aos cristãos de um modo geral. Este
indivíduo devia pensar em tratar-se. Acho que neste momento é uma pessoa com a
qual é quase impossível a convivência e isso deve ser difícil para ele também.
Procurar um especialista iria ajudar, mas não me parece que ele se aperceba da
sua condição de doente mental. É triste, muito triste. Mas por outro lado ver o
psicopata a dizer disparates dá vontade de rir. Estou entre a condescendência e
a vontade de rir. Não sei o que hei-de fazer.
Vejam por vocês mesmos, seguindo este link: http://darwinismo.wordpress.com/2013/08/06/fossil-de-baleia-coloca-em-causa-os-imaginarios-milhoes-de-anos/#comment-21628
Evolução? Os genes dizem sim! (parte II)
Tal como anteriormente foi
exemplificado através das evidências da evolução de baleias, podemos
exemplificar mais evidências da evolução proveniente da genética molecular da
nossa própria espécie (não somos nenhuma excepção).
O sentido do olfacto é
possibilitado por um conjunto de proteínas, os receptores olfactivos,
encontrada na superfície de células que revestem a cavidade nasal. Compostos
que andam pelo ar ligam-se a estes receptores, enviando assim os sinais para o
cérebro, que interpreta o padrão de ligação de um determinado odor.
Consideremos 15 pseudogenes
presentes nos seres humanos, mas não em chimpanzés. De
acordo com a hipótese da ancestralidade comum, estes 15 pseudogenes têm surgido
desde que os humanos e os chimpanzés tiveram um ancestral comum (há cerca de 6
milhões de anos atrás). Se isso for assim, poderiamos prever que nenhum dos 15
pseudogenes estará presente em primatas teriam divergido ainda mais cedo. Isto
é exactamente o que encontramos ao examinar os genomas do gorila e do orangotango.
Seis pseudogenes com mutações
de inactivação idênticas são encontrados em todas as quatro espécies. Humanos e
chimpanzés compartilham doze pseudogenes idênticos em comum, mas os seres
humanos e os gorilas compartilham apenas nove. Estes nove, como previsto, são
um subconjunto dos 12 pseudogenes partilhados por humanos e chimpanzés. É de
lembrar que muitos, muitos mais foram analisados e dão resultados paralelos.
Os dados de pseudogenes
também pode ser estendido para muito mais espécies distantemente relacionadas.
Todos os mamíferos, por exemplo, seriam os descendentes evolutivos de antepassados
que punham ovos. A previsão da evolução, de que os mamíferos são descendentes desses
antepassados, já foi testada, procurando os restos de um gene inactivado,
responsável pela produção de gema de ovo no genoma humano. Este gene, o chamado
gene da vitelogenina, é utilizado como um componente de gema de ovo numa ampla
gama de espécies que põem ovos. Um grupo de investigadores levantou a seguinte
questão: seria possível encontrar os restos mortais do gene da vitelogenina no
genoma humano? E foi possível encontrar esses vestígios no nosso genoma.
Genes intimamente ligados, podem
ficar juntos por muito, muito tempo. Usando essa noção, os investigadores:
localizaram o gene da vitelogenina (funcional) no genoma de galinha,
verificaram qual era o gene "do lado" do gene da vitelogenina na
galinha, confirmaram que este gene vizinho estava presente no genoma humano e no
mesmo local em relação ao gene vizinho no genoma humano descobriram os restos
mutantes do gene da vitelogenina no genoma humano, precisamente neste local.
A hipótese da ancestralidade
comum é uma boa explicação para o padrão de pseudogenes que observamos, bem
como para o todo do padrão de semelhanças e diferenças que observamos.
Referências:
- Brawand, D., Wali, W. and
Kaessmann H. 2006. Loss of Egg Yolk Genes in Mammals and the Origin of
Lactation and Placentation. PLoS Biology 6: 0507-0517. (http://www.plosbiology.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pbio.0060063)
- Gilad, YG., Man, O., Paabo, S., and Lancet, D. 2003. Human specific loss of olfactory receptor genes. Proc. Natl. Acad. Sci. 100: 3324-3327. (http://www.pnas.org/content/100/6/3324.long)
- Gilad, YG., Man, O., Paabo, S., and Lancet, D. 2003. Human specific loss of olfactory receptor genes. Proc. Natl. Acad. Sci. 100: 3324-3327. (http://www.pnas.org/content/100/6/3324.long)
- Zhang, ZD, Cayting, P., Weinstock, G. and Gerstein, M. 2008. Analysis of of nuclear receptor pseudogenes in vertebrates: how the silent tell their stories. Mol. Biol. Evol. 25: 131-143. (http://mbe.oxfordjournals.org/content/25/1/131.full)
P.S. Este texto foi escrito
ao som desta música:
E quando passava esta parte:
«I feel nothing when you cry/
I hear nothing, see no need
to reply/ I can smile now and turn away», eu só conseguia pensar que era assim
que eu me sentia em relação aos criacionistas, especialmente o primeiro verso: «I
feel nothing when you cry». Agora chorem de vergonha (ou de raiva, se preferirem), que eu não tenho pena de
vocês!
Evolução? Os genes dizem sim!
Quando pensamos na evolução
das baleias, pensamos que o facto de as baleias serem mamíferos (as evidências
preliminares) indica-nos que devemos encontrar mais evidências de que as
baleias descendem de animais terrestres quadrúpedes. E essas evidências foram
encontradas no genoma das próprias baleias e no seu desenvolvimento. Durante o
mesmo, é observado o desenvolvimento de membros posteriores e de pêlos que
depois são perdidos, á semelhança do que ocorre nos seres humanos, que
evoluíram para terem menos pêlo do que os seus ancestrais.
E o que nos dizem os genes?
Os genes contam-nos a mesma história que as observações durante o
desenvolvimento.
Alguns dos genes conhecidos
por serem utilizados em todos os mamíferos, para a formação de dentes eram os
candidatos do costume: os produtos dos genes da ameloblastina, amelogenina e da
enamelina são todos utilizados na formação do esmalte dos dentes, a estrutura
mais dura do esqueleto dos vertebrados. Cientistas foram procurar esses genes
em várias espécies de baleias sem dentes. Os resultados mostraram que todas as
espécies estudadas tinham efectivamente estes três genes presentes como
pseudogenes. Encontrar esses genes como pseudogenes em baleias sem dentes era
exactamente o que a evolução previra, mas havia um problema: nenhumas das
mutações que removeram as funções destes três genes foram compartilhadas entre
as diferentes espécies, sugerindo que estes genes perderam a sua função de
forma independente nas espécies estudadas. Este achado estava em desacordo com
os dados do registo fóssil, o qual sugeria que os dentes foram perdidos apenas
uma vez, e no início da linhagem que conduz a todas as baleias sem dentes
modernos. Assim, os investigadores pareciam ter duas linhas de evidência que se
contrariavam uma á outra. O registro fóssil sugere que a perda dos dentes
ocorreu uma vez no ancestral comum de todas as baleias sem dentes, mas esses
três genes parecem ter sido inactivados independentemente, várias vezes, o que
sugere que a perda de dentes deveria acontecer mais tarde na evolução.
Uma explicação proposta para
a aparente discrepância (entre várias propostas) era de prever que um quarto
gene necessário para a formação do esmalte foi perdido no início da evolução
dessas baleias. A perda de qualquer gene necessário para a formação do esmalte
seria suficiente para impedir o processo como um todo. Neste caso, a perda
deste quarto gene impediria a formação de esmalte dos dentes, embora as
sequências genéticas dos outros três genes de esmalte ainda estaria intacto.
Uma vez que a função esmalte estava perdido, mutações aleatórias nos genes do
esmalte restantes poderia, então, acumular-se mais tarde na evolução depois da
especiação neste grupo já estar em andamento. Para testar esta hipótese, o grupo de
investigadores foi à caça de outros genes do esmalte em baleias sem dentes. E
encontraram: um quarto gene, necessário para a produção de esmalte, e
transformado com a mesma mutação em todas as baleias sem dentes modernos. O
gene em causa foi destruído quando um elemento genético móvel (transposão SINE)
se inseriu neste, dividindo-o em dois, tendo destruído a sua função.
O fato de que o mesmo a mesma
mutação de inserção num local idêntico é encontrado em todas as espécies sem
dentes modernas indica que esta mutação aconteceu uma vez num ancestral comum
e, em seguida, foi herdada por todo o grupo.
E que mais nos dizem os genes
das baleias? As baleias também têm um pseudogene para o factor XII da cascata
de coagulação sanguínea, isto é uma versão do gene presente nos mamíferos
terrestres. Isso está de acordo com o previsto pela evolução e demonstra que as
baleias possuem um ancestral comum com outros mamíferos.
Referências:
- Semba U, Shibuya Y, Okabe H, Yamamoto T (1998) Whale Hageman factor
(factor XII): prevented production due to pseudogene conversion. Thromb. Res.
90: 31– 37. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9678675)
- Meredith, R.W., Gatesy, J., Cjeng, J., and Springer, M.S. (2011). Pseudogenization of the tooth gene enamelysin (MMP20)
in the common ancestor of extant baleen whales. Proceedings of the Royal
Society B: 278 (1708); 993 – 1002. (http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/early/2010/09/16/rspb.2010.1280.full.pdf)
Ateísmo e inteligência: os ateus são mais inteligentes?
Os ateus são mais inteligentes? Um estudo publicado na
revista “Intelligence” revela que sim, baseando-se nos resultados dos testes de
QI. As diferenças nos testes de QI podem não reflectir as diferenças
relativamente às habilidades inatas, pois a instrução pode ajudar a melhorar os
resultados. Isso apenas se aproxima do real se as pessoas tiverem o mesmo nível
de instrução ou níveis próximos. Se considerarmos a inteligência como esse todo
(educação e capacidades inatas), podemos considerar que sim. A explicação do
autor do estudo para essa observação é a seguinte: «Se a pessoa é mais educada,
tem acesso a teorias alternativas de criação do mundo. Por isso, o QI alto leva
à falta de religiosidade». E quem já nasceu com mais capacidade que outros, tem
mais facilidade em aprender. É de notar que a maioria dos cientistas
(abrangendo todas as áreas) não acredita em deus, sendo encontrada a maior
percentagem na área da biologia.
Há ainda que ter em consideração que muitos dos cientistas
que acreditam em deus têm provavelmente uma posição muito próxima do deísmo, e não tanto da
abordagem bíblica, visto que 95% dos que abrangem todas as áreas, incluindo
engenharias e ciências computacionais, aceitam a teoria da evolução e mais de
99% dos que trabalham nas áreas das ciências da Terra e da vida.
De tudo isto se pode concluir que o “nível de religiosidade”
diminui à medida que aumenta o nível de instrução e a inteligência.
Ser ateu não torna ninguém mais inteligente, mas é por
ser inteligente que sou ateia.
Ref.:
Cusquice: Rihanna está a transformar-se numa freira?
Rihanna nunca foi associada com o cristianismo, tendo sido
até especulado que ela seguia uma espécie de culto neo-pagão ou até mesmo que
era satânica. É também conhecida por vídeos e músicas de cariz sexual. Além de
tudo isso, no primeiro mandato do presidente Obama, em Janeiro de 2009, cantou
para este numa inauguração (Obama pode ser muita coisa, mas cristão é que não
é). No entanto, em meados de 2012, Rihanna começou a revelar (via Twitter) que,
pelo menos nessa data, se identificava com o cristianismo. Rihanna começou a
publicar versos Bíblicos (por exemplo, sobre perdão – talvez relativamente ao
ex-namorado, Chris Brown) e além disso, afirmou ser “fã” dos ensinamentos de
Joyce Meyer, escritora de livros de auto-ajuda e pastora evangélica, afirmando também a sua fé na
seguinte frase: «Whatever may be your task, work at it from the soul, as it was
something done for Jah* and not for men,» e revelou, também em 2012 que a sua
nova tatuagem nas costas simboliza deus (pelo menos para ela). Não é que para
retirar algo positivo da Bíblia seja necessário ser cristão devoto; nem é necessário
ser cristão. Mas o que ela disse nas entradas sobre os ensinamentos de Joyce
Meyer deixou claro que Rihanna é cristã (se antes não era, passou a ser) e é bastante devota. E mais ainda: ela parece estar a transformar-se numa freira:
numa entrevista em Maio de 2012 ficou muito chateada quando lhe perguntaram se
queria reatar com o ex-namorado e afirmou (escandalizada) que vivia para si
própria e para deus e não para os meios de comunicação. Mas as imagens, cuja
publicação se seguiu á entrevista, sugerem que ela é tudo menos uma “freira”,
que vive para si própria e para deus bem como os vídeos dela desde essa altura
– “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”?
De qualquer modo, a sua devoção parece verdadeira. Esta mudança radical de atitude perante a religião (porque houve uma mudança evidente) parece derivada dos vários desgostos amorosos da cantora com Chris Brown (e outros, possivelmente). Digo isto porque a primeira referência a deus da cantora (que eu conheço) foi na altura do escândalo de violência doméstica com o ex-namorado Chris Brown: «My friends and family have been extremely supportive, and everyone has been there for me. But at some point you are there alone. It’s a lonely place to be – no one can understand. That’s when you get close to God.»
De qualquer modo, a sua devoção parece verdadeira. Esta mudança radical de atitude perante a religião (porque houve uma mudança evidente) parece derivada dos vários desgostos amorosos da cantora com Chris Brown (e outros, possivelmente). Digo isto porque a primeira referência a deus da cantora (que eu conheço) foi na altura do escândalo de violência doméstica com o ex-namorado Chris Brown: «My friends and family have been extremely supportive, and everyone has been there for me. But at some point you are there alone. It’s a lonely place to be – no one can understand. That’s when you get close to God.»
A partir daí ficou praticamente silenciosa sobre o assunto.
Em 2012, quando os problemas com Chris Brown voltaram á superfície, ela
virou-se para a religião de novo, o que é de espantar depois do que os cristãos
disseram dela por todo o mundo.
Outra hipótese é que seja uma manobra publicitária para
ficar associada a Joyce Meyer e aumentar a sua popularidade. Mas se isso é
verdade ela que não se esqueça que pode ganhar uns, mas perder outros.
Nota: Jah = Jeová.
Sites consultados:
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Porque é que virtualmente todos os cientistas aceitam a teoria da evolução?*
Encontrei um vídeo que dá
vários exemplos de dados da anatomia comparada, da embriologia, da genética molecular
e da paleontologia que apoiam a teoria da evolução, enfatizando não apenas a
existência de semelhanças, mas a existência de um padrão específico de
semelhanças e diferenças. São também destacadas previsões nestes campos que
foram cumpridas. Aqui está ele:
Deste modo estão resumidas
algumas razões pelas quais virtualmente todos os cientistas aceitam a teoria da
evolução.
Referências (apresentadas na
descrição do vídeo):
- Sources: Gilbert, S. F.
(1997) Developmental Biology. Fifth edition. Sinauer Associates.
- Carroll, R. L. (1988) Vertebrate Paleontology and Evolution. New York, W. H. Freeman and Co.
- Futuyma, D. (1998) Evolutionary Biology. Third edition. Sunderland, Mass., Sinauer Associates.
- Gould, S. J. (1990) "An earful of jaw." Natural History 3: 12-23.
- Kardong, K. V. (2002) Vertebrates: Comparative Anatomy, Function, Evolution. Third ed. New York: McGraw Hill.
- Rubin, G. M. et al. (2000) "Comparative Genomics of the Eukaryotes." Science 287: 2204-2218.
- Schmid, K. J., and Tautz, D. (1997) "A screen for fast evolving genes from Drosophila." Proc. Natl. Acad. Sci. USA. 94: 9746-9750. http://www.pnas.org/cgi/content/full/...
- Sereno, P. C. (1999) "The Evolution of Dinosaurs." Science 284: 2137-2147.
- Smit, A. F. A. (1996) "The origin of interspersed repeats in the human genome." Current - Opinion in Genetics and Development 6: 743-748.
- Thornhill, R. H., and Ussery, D. W. (2000) "A classification of possible routes of Darwinian evolution." Journal of Theoretical Biology 203: 111-116.
- Voet, D., and Voet, J. (1995) Biochemistry. New York, John Wiley and Sons.
- Williams, G. C. (1992) Natural Selection: Domains, Levels, and Challenges. New York, Oxford University Press.
- Scarpulla, R. C., and Nye, S. H. (1986) "Functional expression of rat cytochrome c in Saccharomyces Cerevisiae." Proc Natl Acad Sci 83: 6352-6.
- Shimamura, M., et al. (1997) "Molecular evidence from retroposons that whales form a clade within even-toed ungulates." Nature 388: 666.
- Smit, A. F. A. (1996) "The origin of interspersed repeats in the human genome." Current Opinion in Genetics and Development 6: 743-748.
- Stewart, C. B. and Disotell, T. R. (1998) "Primate evolution - in and out of Africa." Current Biology 8: R582-588. [PubMed]
- Svensson, A. C., N. Setterblad, et al. (1995) "Primate DRB genes from the DR3 and DR8 haplotypes contain ERV9 LTR elements at identical positions." Immunogenetics 41: 74.
- Sverdlov, E. D. (2000) "Retroviruses and primate evolution." BioEssays 22: 161-171.
- Carroll, R. L. (1988) Vertebrate Paleontology and Evolution. New York, W. H. Freeman and Co.
- Futuyma, D. (1998) Evolutionary Biology. Third edition. Sunderland, Mass., Sinauer Associates.
- Gould, S. J. (1990) "An earful of jaw." Natural History 3: 12-23.
- Kardong, K. V. (2002) Vertebrates: Comparative Anatomy, Function, Evolution. Third ed. New York: McGraw Hill.
- Rubin, G. M. et al. (2000) "Comparative Genomics of the Eukaryotes." Science 287: 2204-2218.
- Schmid, K. J., and Tautz, D. (1997) "A screen for fast evolving genes from Drosophila." Proc. Natl. Acad. Sci. USA. 94: 9746-9750. http://www.pnas.org/cgi/content/full/...
- Sereno, P. C. (1999) "The Evolution of Dinosaurs." Science 284: 2137-2147.
- Smit, A. F. A. (1996) "The origin of interspersed repeats in the human genome." Current - Opinion in Genetics and Development 6: 743-748.
- Thornhill, R. H., and Ussery, D. W. (2000) "A classification of possible routes of Darwinian evolution." Journal of Theoretical Biology 203: 111-116.
- Voet, D., and Voet, J. (1995) Biochemistry. New York, John Wiley and Sons.
- Williams, G. C. (1992) Natural Selection: Domains, Levels, and Challenges. New York, Oxford University Press.
- Scarpulla, R. C., and Nye, S. H. (1986) "Functional expression of rat cytochrome c in Saccharomyces Cerevisiae." Proc Natl Acad Sci 83: 6352-6.
- Shimamura, M., et al. (1997) "Molecular evidence from retroposons that whales form a clade within even-toed ungulates." Nature 388: 666.
- Smit, A. F. A. (1996) "The origin of interspersed repeats in the human genome." Current Opinion in Genetics and Development 6: 743-748.
- Stewart, C. B. and Disotell, T. R. (1998) "Primate evolution - in and out of Africa." Current Biology 8: R582-588. [PubMed]
- Svensson, A. C., N. Setterblad, et al. (1995) "Primate DRB genes from the DR3 and DR8 haplotypes contain ERV9 LTR elements at identical positions." Immunogenetics 41: 74.
- Sverdlov, E. D. (2000) "Retroviruses and primate evolution." BioEssays 22: 161-171.
* Nota: Cerca de 99%
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
A Rainha Negra: Esta carta eu não quero.
Parte da complexidade dos
genomas e o aumento bruto do seu tamanho podem ser explicados por uma
combinação de fatores não-adaptativos - como a dominância da deriva
genética associada a perda de eficiência da selecção natural em populações
pequenas, e adaptativos indirectos como os associados aos simbiontes, comensais
e parasitas genómicos que povoam os genomas dos seus hospedeiros. O genoma pode
ganhar genes, mas também pode perdê-los. Isso pode ser através da
dispensabilidade dos mesmos ou pode mesmo haver vantagem selectiva na sua
perda. Esta é a hipótese da rainha negra (1): A hipótese foi assim designada em
função da Dama de Espadas no jogo de copas, onde a estratégia habitual é evitar
ficar com esta carta.
A hipótese da rainha negra
propõem-se a explicar a evolução através da redução que acontece em
microrganismos de vida livre habitantes de comunidades complexas que, muitas
vezes, perdem genes fundamentais. Como já foi mencionado, a perda na evolução
de espécies de vida livre parece envolver selecção, ou seja, parecem haver
vantagens reprodutivas devido a tal perda. Essas vantagens podem levar a que os
micróbios, ao perderem certos genes, se tornem dependentes do metabolismo de
outras espécies, quer para a produção de certos compostos essenciais, quer para
a destoxificação de outros.
Esta hipótese faz uma
previsão: a perda de uma função metabolicamente custosa, mas que seja a origem
de bens comuns (na comunidade de micróbios) seria selectivamente favorável ao
nível dos indivíduos, pois estes organismos poderiam contar com a produção
desses bens, pelo menos, enquanto estes puderem sustentar a comunidade. Este
tipo de evolução daria origem a beneficiários que iriam adquirir a vantagem do
seu conteúdo genómico reduzido e benevolentes dos quais dependeriam os
primeiros tipos de microrganismos que seriam dependentes da produção/degradação
de certas moléculas realizada por outros. Quem se debruçou sobre o assunto foi Richard
Lenski (et al), cuja pesquisa foi publicada na revista “mBio” (American Society
for Microbiology) com o título “The Black Queen Hypothesis: Evolution of
Dependencies through Adaptive Gene Loss”
Refs.:
Selecção sexual: O tamanho importa…
Cientistas australianos
avaliaram quais as características que afectavam a atracção das mulheres pelo
corpo masculino.
O estudo publicado na revista PNAS mostra
que o tamanho importa. Os investigadores da Universidade Nacional da Austrália
analisaram a reacção de um grupo de mulheres a 343 formatos de corpos
masculinos diferentes e descobriram que existem algumas características que
deixam um homem mais atraente, entre elas o tamanho do pénis.
Amostragem e Métodos: Para descobrir se as mulheres realmente acham o
tamanho importante, investigadores da Universidade Nacional da Austrália
realizaram uma pesquisa com 105 voluntárias heterossexuais australianas. Elas
foram apresentadas a uma série de figuras masculinas geradas por computador, que
variavam em três características: tamanho do pénis (em estado flácido), altura
e proporção entre ombros e cintura (pesquisas anteriores já haviam mostrado que
homens com altos valores nas duas últimas características são mais atraentes).
As figuras mostravam sete variações em cada uma dessas características,
fornecendo, ao todo, 343 formatos diferentes de corpo. As mulheres tinham de
avaliar cada figura conforme sua atractividade, ajudando assim os investigadores
a descobrir quais as características que eram mais importantes.
Resultados: Ao analisar os dados, os autores do estudo
descobriram que as três características importavam para medir o quanto uma
mulher considerava o corpo de um homem atraente. Descobriram que a
característica mais importante para um homem ser considerado atraente é a
proporção entre o tamanho dos ombros e a cintura. Em seguida, aparecem
empatados a altura e o tamanho do pénis. Essas características também se
relacionam entre si, e as mulheres consideraram o tamanho dos órgãos genitais
mais importante entre os homens mais altos e com maiores proporções entre ombro
e cintura.
Selecção natural e sexual: O tamanho médio do órgão sexual masculino, entre os
humanos é o maior dos grandes primatas – os parentes evolutivos mais próximos.
O gorila, por exemplo, apesar de poder chegar até os 2 m de altura, tem um
pénis de apenas quatro centímetros – o humano, flácido, tem um tamanho médio de
9 centímetros e de 14 centímetros erecto. Isso costuma ser explicado pela taxa
de sucesso que os diferentes tipos de pénis têm na hora da fertilização: tenderiam
a ser seleccionados os órgãos sexuais responsáveis pelos maiores índices de
sucesso reprodutivo. Os cientistas, contudo, dizem que o tamanho dos genitais
masculinos também pode ser produto de selecção sexual, e a preferência feminina
teria, nesse caso, ajudado a seleccionar pénis cada vez maiores na espécie
humana.
Os índices de atractividade
também estiveram relacionados com o biótipo da mulher que avaliava as figuras.
Quanto mais alta fosse a voluntária, mais importância era atribuída à altura
masculina. Também houve uma pequena tendência para as mulheres mais gordas
darem mais importância ao tamanho do órgão sexual.
Os cientistas dizem que é
difícil explicar as origens dessas preferências femininas, que podem ter causas
tanto culturais quanto biológicas. Mas concluem que, independente do mecanismo
por trás disso, o resultado do estudo apoia a hipótese de que as escolhas de
companheiros por parte das mulheres pode ter levado à evolução de maiores pénis
nos seres humanos. É importante ressaltar que essa preferência tem origens
pré-históricas, quando não se usavam roupas.
Refs.:
- Revista Veja
- Penis size interacts with body shape and height to influence male
attractiveness, Brian S. Mautz et al (PNAS) (resumo
disponível em: http://www.pnas.org/content/110/17/6925.abstract)
“The edge of evolution”: revisão III
Como já referi anteriormente,
Michael Behe calculou a probabilidade de duas mutações ocorrerem em simultâneo.
Para Behe, a baixa probabilidade de duas mutações ocorrerem em simultâneo (na
mesma célula) diz-nos que a ocorrência é impossível (por causas naturais). Mas
os cálculos de Behe estão muito longe de abordar a situação real, como também
já referi. No entanto, há quem continue a afirmar que Behe está correcto
(criacionistas como ele (*a)). Mas o biólogo Steve Matheson (biologia celular)
explicou (mais uma vez) porque é que Behe estava errado e os cálculos não
tinham nada de realista (*b) o problema é exactamente este: não se pode fazer
esses cálculos como se os eventos fossem ocorrer na mesma célula (em
simultâneo), quando há vários possíveis descendentes onde pode aparecer a
segunda mutação ou quando a mutação se pode fixar (até por deriva genética).
Parece é que os criacionistas não conseguem admitir que os seus ídolos (como
Behe, por exemplo) estão errados e que isso é mais uma razão para a hipótese da
criação permanecer no caixote do lixo onde tem estado desde o tempo em que
Charles Darwin publicou a sua obra prima, “A Origem das Espécies”. Acabou. Ou
os criacionistas aceitam isso ou então convém calarem-se para não fazerem más
figuras. O que mantém o criacionismo vivo é que as pessoas religiosas têm
necessidade de um “pai do céu” (e não uma entidade que apenas criou o universo, à semelhança do deus dos deístas), tal como por vezes as crianças têm
necessidade de ter amigos imaginários.
*Notas: a.) Michael Behe
demonstrou no seu primeiro livro uma posição mais “soft” relativamente à ideia
do design inteligente. Ele apontava apenas para certos casos particulares que
ele designou como irredutivelmente complexos, enquanto que neste parece
estender a sua opinião sobre o criacionismo do design inteligente até a um
banal par de mutações. Behe é um criacionista no sentido estrito (embora não
acredite numa terra jovem) e não um “evolucionista teísta”. Li que Behe era
católico. Mas será que passou a ser evangélico? Se não passou, parece.
b.) Behe
and probability: one more try (disponível em: http://sfmatheson.blogspot.pt/2010/04/behe-and-probability-one-more-try.html#more)
– é de leitura recomendada
Selecção natural na Terra primitiva e o papel do ferro
As moléculas grandes de RNA
usam magnésio (Mg2+) para desempenharem as suas funções (catalíticas). Numa
época pré-biótica, a estrutura geológica da Terra tinha um grande manancial de
iões de ferro (Fe2+). A pesquisa de Loren Dean Williams mostrou que o ferro foi
provavelmente o principal co-fator de activação para que o RNA fizesse o seu
trabalho. Este cientista e a sua equipa testou se o ferro podia substituir o
magnésio e este de facto podia. Esta pesquisa fora publicada na PloS One e também na Nature.
Mas o planeta era instável.
Com a ascensão dos primeiros organismos fotossintéticos, a atmosfera começou a ter
oxigénio em abundância e o Ferro II passou a ser oxidado, perdendo um electrão
e transformou-se em Ferro III, e isso prejudicou os seres vivos primitivos.
E é aqui que entra em cena a
Selecção Natural, que começou também a fazer seu trabalho e as mutações que
ocorreram, as quais propiciaram ao RNA usar não só Ferro II, mas outro metal, o
Magnésio II. As moléculas de RNA que não tinham esta capacidade de usar outro
metal como co-fator foram negativamente seleccionadas, só ficando os que tinham
esta nova capacidade.
Isto tudo significa que
devemos a nossa existência a essas moléculas de RNA com uma ajudinha dos iões
Ferro II e Magnésio II.
A vida nasceu de reacções
químicas simples e acabou com a complexidade que vemos hoje após milhões e
milhões de anos. É interessante como com um pouco de ciência se consegue
descobrir até algumas características dos nossos antepassados de há cerca de 4
mil milhões de anos, que não eram mais (ou eram pouco mais) que moléculas de
RNA com capacidade catalítica.
Ref.:
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Tretas dos cristãos
De um vídeo* que mostra a
jornalista brasileira Raquel Sherazade a dizer disparates sobre ateísmo e religião, quero
abordar um ponto que me chamou a atenção:
“Cristianismo é uma escolha pessoal e racional (…) onde até o
baptismo de crianças católicas precisa de ser confirmado na idade da razão” (A
propósito de uma espécie de manifestação organizada por alguns ateus contra a
imposição do baptismo).
A última parte está bastante próxima da realidade. Mas normalmente a confirmação católica, também designada
por crisma pode ser feita a partir dos 14 anos (deve ser essa a idade da razão
a que os católicos e outros cristãos se referem), que é muito cedo para decidir
que religião é que se quer seguir para o resto da vida. Sei isto porque tive
uma madrinha muito católica, que até convenceu a minha mãe a baptizar-me e a mandar-me à catequese, embora eu não tenha ido longe nisso (na catequese, não fui muito além
da primeira comunhão). Além disso na minha turma quase toda a gente fazia a
confirmação ou crisma. Em religiões protestantes não tenho a certeza de que
idades escolhem para fazer o equivalente ao crisma, mas sei que Dawkins, no seu
tempo foi confirmado na Igreja de Inglaterra aos 13 anos (1), o que é ainda
pior. Além de tudo isto há ainda uma religião cristã (ortodoxa) que crisma as
crianças quando são ainda muito pequenas (2).
Desde quando é que o
cristianismo é uma escolha pessoal a esse nível? Não é sequer uma escolha; é imposto ás crianças e
adolescentes ficarem a pertencer a esta ou àquela religião porque os levaram a
participar em certas cerimónias com certos procedimentos (sem eles terem idade
para decidir considerando várias questões com um entendimento razoável das
mesmas) dos quais muitas vezes nem percebem nada mesmo que frequentem a
catequese (como é o caso do crisma ou confirmação). Muitos destes não são apenas
levados a participar nisso são mesmo obrigados pelos pais ou outros familiares. Há ainda casos em que fazem porque a maioria dos amigos faz ou algo do género, o que não sendo uma imposição directa, resulta de um clima propício devido ás próprias regras (em termos de idades) da Igreja Católica, não sendo de modo algum uma escolha racional, nem mesmo relacionada com a religião em questão. Lá se vai a parte da escolha racional. E ainda que o baptismo possa ser ou não confirmado na “idade da razão”, o bebé
ou a criança muito pequena não escolhe ser baptizada, não escolhe participar
nessa cerimónia religiosa.
Na minha opinião, não devia sequer
existir nada disso. Mesmo que só permitissem a confirmação (ou fizessem apenas
o baptismo) a partir dos 18 anos (quando se é oficialmente maior de idade), por
exemplo, uma pessoa pode mudar de religião aos 30, 40 anos e viver
aproximadamente metade (ou mais) da sua vida com outra religião ou sem nenhuma.
E não interessa se é crismado ou se só é baptizado ou nenhum dos dois. Deixa de
ter qualquer significado.
*Nota: Aqui fica o vídeo:
Refs.:
2.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sacramento_(cristianismo)
P.S.: Se dependesse de mim, a cabra ignorante e burra seria despedida, mas não por ser religiosa, mas porque, além de ser burra e ignorante, é mal educada em directo.
P.S.: Se dependesse de mim, a cabra ignorante e burra seria despedida, mas não por ser religiosa, mas porque, além de ser burra e ignorante, é mal educada em directo.
Selecção natural e doenças
Sabemos que os genes vizinhos tendem a ser herdados juntos e
que alelos que não têm qualquer vantagem evolutiva podem aumentar de frequência
ao apanharem boleia com os genes vizinhos que são positivamente seleccionados.
Como referido anteriormente, em certos casos este fenómeno pode contribuir para
a especiação quando 2 populações divergem. Mas também pode contribuir para que
certas mutações prejudiciais, que estão no gene vizinho do gene benéfico,
aumentem de frequência numa população, explicando porque é que algumas doenças
são tão comuns nos humanos, por exemplo.
Cientistas procuraram evidências de que isso aconteceu no
genoma humano.
Para verificarem se os SNP’s (single nucleotide polymorphisms)
eram neutros, os investigadores usaram o seguinte raciocínio: se uma alteração
em particular também é encontrada noutros animais, é provável que seja neutra,
sendo bom saber que 72% dos genes de doenças humanas conhecidas foram
classificadas como prejudiciais usando este método (1). Os SNP’s prejudiciais
(em zonas em que se verificasse o fenómeno inicialmente descrito) deveriam ter
uma frequência elevada comparados com os neutros. E foi esse o caso. Além
disso, a taxa de SNP’s prejudiciais deveria ser mais elevada quanto mais
próximo da região vizinha do gene positivamente seleccionado em que os genes
costumam “apanhar boleia” e decrescer com a distância, pois genes mais
afastados têm mais tendência a ser separados por recombinação e isso também se
verificou. Ao fornecer evidência para a riqueza em variantes nocivos das
regiões de boleia, os autores do estudo intitulado “Evidence for
Hitchhiking of Deleterious Mutations within the Human Genome” (2) também
forneceram evidência de que estas regiões são indicativos da influência de
selecção positiva. O estudo é de leitura aconselhável.
Refs:
DNA parasítico no genoma
Elementos móveis (Alu),
também designados por DNA parasítico povoam o nosso genoma e podem ser bons,
maus ou indiferentes.
Considerando o que se sabe
sobre estes elementos de DNA parasítico posso listar benefícios e potenciais fontes
de prejuízo dos mesmos:
- Benefícios:
·
podem participar
no controlo da expressão genética
·
podem ter funções
estruturais
·
podem ser
convertidos em genes funcionais
- Prejuízos:
·
podem causar
mutações prejudiciais por “saltarem” para o meio de um gene fundamental
·
podem
destabilizar o genoma por prejudicarem certas interacções físicas
·
podem gerar RNA
tóxico para a célula (que deve ser manobrado por outros sistemas)
Este balanço entre
“qualidades” e “defeitos” foi enfatizado na revisão por John L. Goodier e Haig
H. Kazazian, Jr, publicada na revista Cell em 2008 (1). Apesar disso certos
criacionistas* fazem de conta que os últimos três tópicos relativos á acção dos
elementos em questão não existem. É triste.
* Nota:
ver «“Junk”
DNA: An Outdated Concept» (disponível em: http://www.reasons.org/articles/%E2%80%9Cjunk%E2%80%9D-dna-an-outdated-concept-part-6-of-6)
Sobre reparação do DNA, mutações e evolução
O artigo de William DeJong e Hans
Degens, “The Evolutionary Dynamics of Digital and Nucleotide Codes: A Mutation
Protection Perspective” (1) (o qual os criacionistas adoram citar) faz uma
grande confusão ao sugerir que os mecanismos de protecção contra as mutações
presentes nas células constituem um problema para a teoria da evolução,
parecendo querer dizer que o que este mecanismo permite em termos evolutivos é
muito restritivo, tendo que ser desligado ou ficar disfuncional, mas que por
outro lado a evolução deste traria vantagem. É que isso não é bem assim. Na
vida real em certas ocasiões os danos no DNA não são reparados (com o mecanismo
a funcionar normalmente), o que leva ao aparecimento de muitas mutações neutras
(ou pelo menos próximas disso), que são uma maioria, poucas vantajosas e
algumas prejudiciais. E assim, podemos determinar a taxa de mutações, por
exemplo contando as mutações que ocorreram entre gerações. Estas mutações são
uma mais valia para a evolução, que parece funcionar muito bem (reparem nas
experiências de Richard Lenski). Portanto, se eu tivesse que classificar este
artigo numa escala de 0 a 10 eu atribuía-lhe um 2. Está muito desligado da
realidade biológica.
Nota: Chamo a atenção para o facto do artigo de William DeJong e Hans Degens não apoiar o design inteligente.
Refs:
terça-feira, 23 de julho de 2013
A Evolução é um processo intencional?
A resposta á pergunta acima é
não. Não há intenção, não há propósito no processo evolutivo de mutações
aleatórias, selecção natural e sexual e deriva genética. Como nos indica o
título da obra de Richard Dawkins que se dedica a explicar o processo
evolutivo, as forças evolutivas são como um relojoeiro cego: produzem
resultados que aparentemente parecem ter sido o resultado de uma acção
intencional, mas com uma análise mais profunda detecta-se que não são. É claro
que como analogia ou metáfora, uma pista ou escolha intencional é boa para
descrever a selecção natural, por exemplo, fazendo uma analogia com a selecção
artificial (escolha intencional) ou, para explicar a uma criança como funciona,
podemos usar a metáfora do “quente e frio” ou da escolha (intencional) das
bonecas loiras ou morenas para brincar. Mas é claro que na realidade nua e crua
não há intenção no processo evolutivo.
Esta questão lembra-me uma
conversa que tive com um criacionista* (no blog “Darwinismo”) a quem eu tentei,
durante essa conversa, explicar a diferença entre a evolução com e sem selecção
natural com a metáfora do “quente e frio”, como se ele tivesse 6 anos. Mas o
criacionista em questão nem assim conseguiu perceber nada e ao responder só
disse disparates como, por exemplo, que nesse caso também intervinha quem
fabricou a pulseira e quem dava as instruções e que eram ambos agentes
inteligentes. É triste. É muito triste que ele nem consiga perceber uma
explicação que normalmente se dá a uma criança. O QI desse criacionista deve
ser muito baixo, o que, associado à má vontade e à desonestidade, torna inútil qualquer tentativa de comunicação. Assim, é quase impossível melhorar a compreensão da pessoa.
Voltando á intencionalidade
na evolução: é exactamente por não existir intencionalidade na evolução, ou
seja, por não termos sido concebidos com um propósito que as pessoas religiosas
tiveram que continuar a acreditar no criacionismo e que o reciclar para fazer a
versão design inteligente. É que o facto da evolução não ser intencional e
funcionar tão bem como funciona, torna a ideia de um deus criador desnecessária
e explica muito bem como as coisas ocorreram, ao passo que “deus fez” no fundo
não explica nada.
*Nota: O criacionista em questão assina "jephsimple" (seguir hiperligação).
*Nota: O criacionista em questão assina "jephsimple" (seguir hiperligação).
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