(Via "Why evolution is true".)
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
NÃO sou criacionista
Relativamente a um pequeno texto que coloquei aqui no blog com o título "Sou criacionista", tenho que informar os leitores de que isso era uma ironia e que eu não sou de facto criacionista. Sou ateia. O texto foi removido.
P.S.: Isto vem a propósito da reacção de pessoas que me conhecem pessoalmente ao texto referido.
P.S.: Isto vem a propósito da reacção de pessoas que me conhecem pessoalmente ao texto referido.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Evidências da evolução no corpo humano
A cauda é partilhada por
todos os mamíferos a certo ponto do desenvolvimento.
Os humanos também têm uma
cauda vestigial ou verdadeira, em contraste com a pseudo-cauda e ambas aparecem
por vezes nos recém-nascidos, o que, no primeiro caso, é designado por
atavismo. Mesmo os humanos adultos têm uma cauda (óssea) vestigial, que é o
cóccix – as vértebras terminais que por vezes nos dão dores de costas. Estes
factos reflectem a herança em comum, não só com os outros primatas, mas com os
outros mamíferos.
É importante distinguir a
cauda vestigial, ou seja, o atavismo nos recém-nascidos da pseudo-cauda que
também aparece nos bebés pelo exame clínico e patológico. Vários estudos
indicaram a natureza benigna da verdadeira cauda. A verdadeira cauda surge a
partir do remanescente mais distal da cauda embrionária, contém tecido adiposo,
conjuntivo, músculo e tecido nervoso, e é coberto por pele. As pseudo-caudas
representam uma variedade de lesões que têm uma semelhança superficial com as
caudas vestigiais ou caudas verdadeiras. A análise dos relatos de casos indica
que a espinha bífida é a anomalia mais frequente que convive com ambas as
caudas.
A cauda vestigial surge pela
retenção das estruturas encontradas normalmente no desenvolvimento fetal. A
embriogénese associada á cauda humana é observada pela primeira vez na quarta
semana de gestação.
Esta pode ter até 13 centímetros , pode
mover-se e contrair-se, e ocorre duas vezes mais em homens do que em mulheres. Uma
verdadeira cauda é facilmente removida cirurgicamente, sem efeitos residuais.
Raramente é familiar. Pseudo-caudas são lesões variadas que têm em comum uma
saliência na região lombossacral. A causa mais frequente de uma pseudo-cauda é
um prolongamento anormal das vértebras do cóccix ou, entre outras lesões, um
fina e alongado feto parasitário.
Aquilo a que normalmente
chamamos “pele de galinha”, ou seja, o reflexo pilomotor pode também ser
considerado um vestígio. Quando uma pessoa tem frio ou está assustada, pequenos
músculos na base de cada pêlo contraem, fazendo com que os pêlos do corpo
fiquem em pé. Em
animais com mais pêlo, isso é um reflexo útil: os pêlos erectos fazem uma
armadilha de ar para criar uma camada de isolamento, e eles também fazem o
animal parecer maior. No entanto isso no ser humano é inútil. Isto seria de
esperar se animais mais peludos (como os chimpanzés) tivessem sido ancestrais
do Homo Sapiens.
Todas estas evidências
apontam para uma coisa: evolução. Para quem não gosta: proponha ou cale-se.
Refs.:
Eva mitocôndrial
"Eva mitocôndrial" é o termo que é normalmente usado em divulgação científica (por ser fácil de memorizar) para designar a nossa ancestral comum matrilínear mais recente. Esta viveu em África há 99.000-148.000 anos.
Esta mulher não foi a primeira das mulheres modernas (em termos de anatomia) no planeta, mas sim apenas uma de milhares de mulheres suas contemporâneas, com uma linhagem materna contínua até aos dias de hoje. É, então, de notar que não existe qualquer relação entre esta mulher e a Eva bíblica.
Como existe uma "Eva mitocôndrial", existe um "Adão do cromossoma Y", ou seja, o ancestral comum mais recente dos humanos actuais por via patrilínear, designação que não se encontra fixada num só indivíduo. É de notar que não existem evidências de que este tenha vivido próximo da "Eva mitocôndrial", quanto mais se que tenham alguma vez acasalado. Além disso, as estimativas da época em que viveu, apesar de variarem, na sua maioria apontam para que seja muito antes da "Eva mitocôndrial". À semelhança desta, foi penas um dos muitos homens seus contemporâneos, com uma linhagem paterna contínua até aos dias de hoje. Mais uma vez: não há qualquer relação com o conto bíblico.
Muitas vezes as designações "Eva mitocôndrial" e "Adão do cromossoma Y" são utilizadas sem qualquer explicação ou contexto, podendo fazer com que as pessoas percebam que se tratam das mesmas pessoas de que fala o mito da criação judaico-cristão, o que, como já expliquei em cima está totalmente errado. Só pela cronologia estaria errado, além de não terem sido as primeiras pessoas, únicas no seu tempo. Não existem quaisquer evidências de que o Adão e Eva bíblicos tenham existido, apenas de que o "Adão e Eva" genéticos existiram há dezenas ou centenas de milhares de anos (e não há 6 a 10 mil anos).
Refs.:
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Mais evidências moleculares da evolução
O apoio para a ancestralidade comum devido a estudos de sequências moleculares passa pelos genes que estão
presentes em todos os organismos vivos actualmente e depende da semelhança
desses num contexto específico: redundância funcional proteica.
Há certos genes que todos os
organismos vivos têm, porque desempenham as funções mais básicas de vida, estes
genes são chamados de genes ubíquos ou omnipresentes. Os genes ubíquos não são
correlacionados com fenótipos específicos de uma espécie: não têm nenhuma
relação com as funções específicas de diferentes espécies. Por exemplo, não
importa se é uma bactéria, um ser humano, um peixe, uma baleia, um golfinho, um
tentilhão, um cogumelo, uma minhoca ou uma estrela do mar - esses genes estão
lá, e todos eles desempenham a mesma função biológica básica. As sequências
moleculares de genes ubíquos são funcionalmente redundantes: Qualquer proteína
ubíqua tem um número extremamente grande de diferentes formas funcionalmente
equivalentes (ou seja, sequências de proteínas que podem executar a mesma
função bioquímica).
Obviamente, não há nenhuma
razão á priori para que cada organismo tenha que ter a mesma sequência ou
sequências semelhantes. Nenhuma sequência específica é funcionalmente necessária
em qualquer organismo - tudo o que é necessário é um de um grande número de
formas funcionalmente equivalentes de um determinado gene ou proteína ubíqua.
Hereditariedade correlaciona
sequências, mesmo na ausência de necessidade funcional: existe um, e somente
um, mecanismo observado que faz com que dois organismos diferentes tenham
proteínas ubíquas com sequências semelhantes (além da improbabilidade extrema
de puro acaso, é claro). Esse mecanismo é a hereditariedade.
Estudos com genes funcionais
têm-se centrado em genes de proteínas (ou RNAs) que são comuns (ou seja, estão
presentes em todos os organismos). Isto é feito para assegurar que as
comparações são independentes do fenótipo específico.
Por exemplo, o O citocromo c
é uma proteína essencial e encontrada em todos os organismos, incluindo
bactérias e eucariontes. As mitocôndrias de células contêm o citocromo c, onde
este transporta electrões num processo metabólico fundamental: a fosforilação
oxidativa.
Utilizando para um estudo um
gene ubíquo como o do citocromo c, não há razão para supor que dois organismos
diferentes devem ter a mesma sequência proteica ou sequências proteicas
parecidas, a menos que os dois organismos sejam geneticamente relacionados.
Isto é devido, em parte, à redundância funcional das sequências de proteínas e
das estruturas. Aqui, a "redundância funcional" indica que muitas sequências
de proteínas diferentes formam a mesma estrutura geral e desempenham o mesmo
papel biológico. O Citocromo c é uma proteína redundante em termos funcionais,
pois muitas sequências diferentes podem desempenhar a mesma função. A maioria
dos aminoácidos no citocromo c é muito variável, sendo difícil destruir a sua
função modificando os resíduos (1). O citocromo c até um exemplo normalmente
utilizado no ensino da biologia evolutiva, mais propriamente da filogenética.
É claro que eu não estaria a
ter este trabalho todo se não se confirmasse que existem de facto semelhanças
indicativas de relação de ancestralidade. Um exemplo são os humanos e os chimpanzés,
outro são os humanos e os morcegos (que, como exemplo, têm muito mais
semelhanças entre eles do que entre morcegos e colibris.
Mais uma coisa gira sobre o
citocromo c: uma outra proteína, a plastocianina, evoluiu convergentemente para
desempenhar a mesma função do citocromo c 6. Tratam-se de duas pequenas
proteínas solúveis que contém cobre e um grupo heme, respectivamente, que estão
localizadas no lúmen dos tilacóides e fazem a transferência de electrões do
citocromo b 6-f para o fotossistema I em muitos dos organismos fotossintéticos.
Em cianobactérias, as duas metaloproteínas de facto desempenham um papel
respiratório extra como doadores de elétrons para a enzima citocromo c oxidase.
Não há nenhuma relação filogenética nem estrutural entre estes, embora partilhem
um certo número de parâmetros físico-químicos e semelhanças estruturais que
lhes permitem substituir-se mutuamente dependendo da disponibilidade do cobre. Este
é um excelente exemplo de evolução convergente, a nível molecular, o qual é interpretado
como uma consequência da adaptação microbiana às condições ambientais, segundo
a disponibilidade de ferro e cobre. Um estudo sobre o assunto foi publicado em
2011 (Bioenergetic
Processes of Cyanobacteria) (2).
Por falar em evolução
convergente e homologia, é de notar que os biólogos já em 1970 se preocupavam
em arranjar métodos para distinguir homoplasia de homologia verdadeira por
métodos estatísticos, ao contrário do que muitos podem pensar, como ilustrado
no estudo intitulado “Distinguishing homologous from analogous proteins” (Systematic Zoology) (3). Devo
também lembrar que não se pode usar ortólogos para construir árvores
filogenéticas referentes a espécies.
Refs.:
1.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2834231?dopt=Abstract
(via “Talkorigins”)
O que se pode observar
As evidências que apontam
para a evolução são observadas pelos cientistas tanto em laboratório como no
campo – por exemplo, o registo fóssil.
Quando sequenciamos uma
porção de DNA estamos a observar a realidade dessa sequência no laboratório,
quando comparamos duas sequências de DNA, estamos a mesma coisa, quando se
analisa um fóssil, o mesmo. Todas as evidências científicas são constituídas
por observações como estas. Podemos reconstruir a história evolutiva das aves,
mas não temos que ver a transição de dinossauros para aves com os nossos
próprios olhos. Temos os fósseis e o DNA e isso chega. Nem sequer somos
obrigados a ver eventos de especiação ou partes do processo em campo ou no
laboratório (embora isso já tenha acontecido), porque mais uma vez temos algo
como o DNA – os padrões genéticos das várias espécies de Plasmodium, por exemplo. Em ciência, seja em que área for, o método
base é sempre o mesmo: o método científico. Servimo-nos sempre das evidências -
daquilo que observamos, para ver qual das hipóteses se encontra mais em
concordância com estas. Por exemplo, podemos decidir se um E.T. concebeu uma
pedra com inteligência ou se esta é apenas o produto de processos naturais como
a sedimentação, compactação, erosão, entre outros, baseando-nos na recolha de
dados da rocha e testar as previsões de cada uma das hipóteses. No entanto, não
precisamos de assistir ao processo de formação da rocha para sabermos isso. É
claro que quando uma hipótese não se distingue das outras, essa não interessa:
por exemplo, uma hipótese que afirme que o E.T. criou a rocha como se ela
tivesse surgido naturalmente.
Os cientistas aceitam a
teoria da evolução, não por serem anti-religião, não porque simplesmente lhes
apeteceu chatear a Igreja de Inglaterra no tempo de Darwin, mas porque as
evidências apontam para essa hipótese e para nenhuma outra desde que Darwin e
Wallace começaram a trabalhar nessa questão. A teoria da evolução é o melhor
que temos até agora para explicar a diversidade de espécies que nos rodeia e a
existência da nossa própria espécie. Isto é ponto assente. É claro que isso
chateia muita gente, mas a ciência não existe para agradar a gregos nem a
troianos. Não gostar do que se descobre através do método científico, em nada
afecta a sua prosperidade. Desde que funcione – e sabemos que funciona (basta
comparar os resultados da medicina baseada na ciência com os da homeopatia, só
como exemplo) – vamos continuar assim.
domingo, 11 de agosto de 2013
Evolução do genoma humano: genes Hox e companhia
Os cromossomas humanos 2q, 7,
12q e 17q demonstram homologia intra-genómica, regiões parálogas em duplicado,
triplicado e quadruplicado, centradas nos grupos de genes HOX. O fato de que
dois ou mais representantes de diferentes famílias de genes estão ligados a
grupos HOX é tomado como evidência de que esses conjuntos de genes parálogos
podem ter surgido a partir de um único segmento cromossómico através de eventos
de duplicação de cromossomas inteiros ou de um bloco. Isto implicaria que os
genes constituintes, incluindo os clusters HOX reflectissem a arquitectura de
um bloco único ancestral (antes da origem dos vertebrados), onde todos esses
genes estariam ligados numa única cópia.
Num estudo intitulado “An
insight into the phylogenetic history of HOX linked gene families in
vertebrates”, publicado em 2007 (BMC Evolutionary Biology), investigadores do Institute
of Human Genetics, Philipps-University (Alemanha) usaram um conjunto de dados
de uma grande variedade de genomas de vertebrados e invertebrados para analisar
a história filogenética de 11 famílias multigénicas com três ou mais dos seus
representantes ligados aos grupos HOX humanos. Os autores usaram uma abordagem
de comparação de topologia – a topologia da árvore filogenética de cada família
de genes foi comparada com outras famílias e também com a filogenia dos grupos
HOX para testar consistências em eventos de duplicação. Esta abordagem revelou
quatro grupos de co-duplicados discretos: um grupo envolve os genes GLI, HH,
INHB, IGFBP (cluster-1), e as famílias SLC4A, o grupo 2 envolve os genes ERBB,
ZNFN1A, e as famílias genicas IGFBP (cluster-2), o grupo 3 envolve os clusters
HOX e da família de genes SP; o grupo 4 envolve a cadeia da integrina beta e
famílias da cadeia leve da miosina. Os genes distintos dentro de cada grupo
co-duplicado partilham a mesma história evolutiva e são duplicadas em conjunto,
enquanto os genes constitutivos de dois grupos co-duplicados diferentes podem não
compartilhar a sua história evolutiva e podem não se ter duplicado em
simultâneo.
Os autores do estudo concluíram
que as regiões de paralogia no genoma humano foram moldadas directamente por
duas rondas de quadruplicação dos blocos ancestrais individuais. As famílias de
genes constituintes do conjunto de parálogos HOX surgiram em grande parte por eventos
distintos de duplicação, e seus membros foram juntos em três ou quatro regiões colineares
em diferentes cromossomas, como resultado de rearranjos de segmentos do genoma,
no máximo antes da divergência dos peixes ósseos e dos tetrápodes.
Os dados sugerem que as relações
de ligação vistas nos cromossomas humanos onde se encontram os genes HOX não
são o resultado de duplicações de um cromossoma inteiro ou de antigo bloco e,
assim, não deve ser tomado como evidência para duas fases de duplicação de todo
o genoma.
Ref.:
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