domingo, 22 de setembro de 2013

«Encyclopedia of American Loons» e mais um pouquinho de teoria da informação

Alguém decidiu escrever um blog que é uma autentica enciclopédia de lunáticos americanos (como o próprio título indica). Nesta lista estão muitos criacionistas, incluindo:

- Ann Gauger: foram muito brandos com ela.

- Douglas Axe: caracterizado como desonesto (é justo).

- Michael Behe: também caracterizado como desonesto e dissimulado (também é justo)

- William Dembski: completamente iludido e incapaz de admitir que cometeu erros. No texto aparecem hiperligações para críticas aos seus artigos e aos seus disparates. Um deles é escrito por um especialista na área das ciências informáticas, Mark C. Chu-Carroll, o qual foca que Dembski teve que retirar tudo o que tinha a ver com maluquices criacionistas de um artigo que publicou para este passar por revisão de pares e ser publicado (lá se vão as aspirações dos criacionistas de verem a sua fé aceite como teoria pela comunidade científica) e que o seu método (a abordagem logarítmica) para medir a informação num algoritmo evolutivo não tem qualquer significado (apenas nos dá o número de bits do programa). No texto, o autor expõe também a falta de compreensão de Dembski relativamente a um programa muito básico (Weasel) - um algoritmo evolutivo que o Dawkins fez há uma data de anos. Apenas discordo de uma coisa relativamente ao texto do «Encyclopedia of American Loons»: o William Dembski não é inteligente. De maneira nenhuma. 

Nota: O endereço do «Encyclopedia of American Loons»: http://americanloons.blogspot.pt/ 

Redundância e evolução de sistemas irredutivelmente complexos


Encontrei um artigo (já velhinho) que fala da evolução de sistemas irredutivelmente complexos através da redundância e perda de partes funcionais (1). Um exemplo de redundância é a proteína p 53, proteína que pode iniciar a apoptose, evitando assim o aparecimento de um cancro, a qual foi “retirada” em ratinhos e isso não causou a ruptura do sistema que ela integrava. Outro exemplo que pode ser mencionado é a própria cascata de coagulação (que afinal de irredutivelmente complexa nada tem), que tem partes que são redundantes – coagular lentamente não é o mesmo que não coagular. É dessa maneira que um sistema complexo pode evoluir para se tornar irredutivelmente complexo.
Duplicações de genes podem fazer com que apareçam novas peças (que ao princípio podem ser redundantes) que depois são co-optadas para desempenharem novas funções, como já foi referido anteriormente. 
A complexidade redundante é uma característica dos processos evolutivos que pode ajudar a explicar a evolução de vários sistemas complexos. E é preciso ver que não há apenas uma via evolutiva possível, mas sim várias possíveis capazes de explicar o surgimento de certos sistemas. A distinção de qual é a correcta está nos pormenores que devem ser (e já estão a ser) investigados. A capacidade dos processos naturais de explicarem o que observamos torna desnecessária a invocação de qualquer divindade como explicação; de qualquer modo “deus fez” não explica nada de nada.

É verdade que evolução molecular não é fácil para toda a gente compreender, mas penso que facilitaria bastante se as pessoas deixassem a religião de lado de vez em quando.

Ref.:

1. Behe, Biochemistry, and the Invisible Hand (2001), Niall Shanks and Karl Joplin, Philo Vol. 4 No. 1 (disponível aqui: http://www.philoonline.org/library/shanks_4_1.htm)


Evolução vs “Deus Fez” – Prefiro a primeira hipótese


O filme “Evolution vs God” do Ray Comfort é das piores coisas que qualquer criacionista fez até hoje. E estou a contar com toda a javardice que os criacionistas do design inteligente têm feito, o que inclui o famoso “Meyer’s hopeless monster” (R.I.P.).
Vejam por vocês mesmos:



E agora vejam a burrice do criacionista Ray Comfort exposta:



Só um criacionista para achar que não se pode descobrir o que aconteceu no passado, analisando as evidências que temos no presente. Isso é das coisas mais estúpidas que eu já ouvi – e eu já tenho ouvido muita estupidez. Darwin escreveu (e isso é focado no segundo vídeo): «(…) no que respeita a grupos muito distintos, tais como repteis e peixes, parece que, sendo distinguidos actualmente por uma dúzia de caracteres, os antigos membros dos mesmos  dois grupos poder-se-iam distinguir por um menor número de caracteres, de modo que os dois grupos (…) teriam alguma proximidade nessa altura» - isto foi verificado através do registo fóssil. As semelhanças (entre 2 grupos distintos de animais) vão sendo cada vez maiores, à medida que “andamos para trás” no tempo. A hipótese evolutiva de que eles estão relacionados, tendo divergido de um ancestral comum mais uma vez é a que mais se enquadra nas evidências disponíveis - e é por isso que esta continua a ser a preferida dos cientistas e das pessoas que são pelo menos minimamente esclarecidas. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Programa de filogenética

É um programa bastante básico que faz alinhamentos, pesquisa de sequências nas bases de dados do pubmed e faz árvores filogenéticas. Já experimentei e é muito fácil. Aqui fica um tutorial: http://www.esa.ipb.pt/medchem/filo.html.
Deve-se obter um resultado semelhante a este:

Nota: Foram utilizadas poucas sequências por era só para praticar.  


Confusão sobre a radiação do Câmbrico (ou Chacinando o “monstrinho” do Stephen C. Meyer)

O paleobiólogo Charles R. Marshall, especialista naquilo a que vulgarmente chamam explosão do Câmbrico, chacinou o “Darwin’s Doubt” do criacionista Stephen C. Meyer. A revisão (1) foi publicada na revista “science”. Esta focou que o argumento de meyer era outra vez falacioso (o deus das lacunas do costume) e que a origem de novos filos tinha a ver com a evolução da regulação dos genes e não com a evolução de proteínas. Esses sistemas de regulação, que hoje são bastante complicados no que se refere a sofrer modificações, há milhões de anos não eram tão sofisticados, de acordo com os organismos nos quais se encontravam, daí não serem tão complicados de modificar quando se deu a radiação adaptativa no Câmbrico. o autor da revisão refere-se (logo no título) ao facto do Stephen C. meyer querer a todo o custo que o tal designer tenha sido o responsável pela explosão do Câmbrico.

Refs.:


1. Marshall, C.R. 2013.  When prior belief trumps scholarship.  Science 341:1344. DOI: 10.1126/science.1244515 (Via “Why Evolution is True”)


E agora podemos passar ao funeral do “Darwin’s Doubt”, mais conhecido por Meyer’s Hopeless Monster:




1% de diferença e confusão sobre o genoma humano (outra vez)

O criacionista (Francisco Tourinho) que fez uma grande confusão sobre o genoma humano (ver aqui e aqui) leu o meu texto (já actualizado) sobre o ENCODE e deixou uma data de comentários a bater na mesma tecla - o engano dos 80% funcionais e de quase não existir lixo no DNA. É claro que eu fiz-lhe ver que estava exactamente a a bater na mesma tecla como se não tivesse percebido nada. E talvez ele tenha ficado elucidado quanto ás figuras que fez depois de ler as últimas palavras da minha resposta: «Fail. Epic.» Ou não. 

Entretanto na caixa de comentários do blog dele, este indicou-me um texto de um blog "evolucionista" que focava que a diferença de 1% entre humanos e chimpanzés é relativa à sequência de DNA e não significa muito por si só em termos fenotípicos, se a considerarmos relativa a todo o DNA. Nada de novo para mim. Mais alguma coisa? Bem me parecia que não.