domingo, 29 de setembro de 2013

A fuga desesperada do criacionista Francisco Tourinho

Quem acompanha este blog deve lembrar-se da confusão que um certo criacionista - o tal Francisco Tourinho fez relativamente ás características do genoma humano (ver Confusão sobre o genoma humano).
Eu tentei corrigi-lo sobre o assunto e mais tarde chegou à discussão um dos leitores deste blog (que assina "Corvo"). Acho que o criacionista não gostou muito da aula de genética que eu lhe dei ou talvez se tenha apercebido que tínhamos razão ou então não conseguiu responder à letra ao que lhe foi dito. Eu digo isto porque este fugiu a sete pés, acabando com o blog. Acho que teve vergonha. É pena eu não ter guardado a conversa toda para colocar aqui no blog. E pelo que tenho lido sobre discussões com criacionistas na internet, estes tendem a apagá-las quando é demasiado vergonhoso para eles.  


sábado, 28 de setembro de 2013

Como debater evolução com um criacionista

O Dr. Michael Shermer fez um óptimo trabalho no debate em 2004 (Universidade da Califórnia – Irvine) com o criacionista da Terra jovem Kent Hovind. Com humor negro, factos e uma certa dose de condescendência, este conseguiu passar um bom bocado enquanto os criacionistas enfiavam os dedos nos ouvidos.
O Dr. Shermer, por exemplo, apontou para o facto de a baleia nadar com barbatanas semelhantes aos membros dos mamíferos e não ás dos peixes, o que é consistente com a evolução e não com a noção de criacionismo progressivo, ou mesmo qualquer outro tipo de criacionismo, a menos que deus fizesse as baleias e os golfinhos assim para testar a fé dos humanos ao enganá-los – o que significa que os criacionistas teriam que fugir com o rabiosque á seringa e ficariam desacreditados, pois se uma hipótese precisa que a defendam dos testes dessa maneira para não ser falseada é porque deve ser desprezada, não servindo para nada. Na realidade esse facto acerca das barbatanas das baleias e dos golfinhos apoia a hipótese evolutiva, pois faz sentido que a evolução “trabalhasse” com aquilo que já lá está, isto é, com os membros dos mamíferos ancestrais através das mutações que iriam modificá-lo, mas não substitui-lo por uma barbatana de peixe.
O papel do criacionista Kent Hovind no debate foi insultar o seu oponente e todos os cientistas que citava. É nisso que os criacionistas são bons – nisso e em serem desonestos, mas não em ciência. E já agora: por uma estrutura qualquer ter alguma função para os indivíduos da espécie em questão, não significa que não possa servir de evidência para a evolução.
Acho que ambos os participantes estão de parabéns: um pela melhor explicação e o outro pelos melhores insultos.

Aqui fica o vídeo: 



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Lixo genético e deus no lixo

Lembro-me de ter esclarecido a diferença entre “Junk DNA”, ou seja, DNA lixo e “Garbage DNA”. O primeiro é alguma coisa que não é necessária, embora vá sendo guardada. Tal como o DNA lixo, deus também não é necessário para explicar nada. O que tornou deus desnecessário foi uma combinação explosiva de química, biologia e física: a teoria da evolução e a percepção de que a vida pode muito bem ter surgido naturalmente em conjunto com as teorias e descobertas recentes da física quântica, como a teoria das cordas com as suas previsões e a descoberta de que o espaço vazio está cheio de partículas virtuais. Isto não demonstra que deus não existe, pois há sempre a possibilidade de ele nos enganar para pensarmos que o universo veio do nada e que a teoria da evolução corresponde à realidade de modo a testar a fé dos humanos, visto as pessoas religiosas poderem inventar tudo e mais alguma coisa para fugirem aos testes da ciência. Isto simplesmente torna-o desnecessário como explicação para as nossas origens.
O problema para a hipótese de deus é que em ciência não guardamos lixo, mesmo que este não cheire mal. Deitamos fora.
Uma possível resposta seria que deus é necessário como explicação para a inspiração humana, para os relatos da ressurreição, a qual teria ocorrido na realidade, etc. Mas a primeira sabemos que vem das reacções químicas do nosso cérebro e a segunda muito provavelmente não ocorreu e foi baseada noutros mitos mais antigos.
Além de tudo isto, já devia estar no lixo logo na primeira fuga aos testes.

O lugar do lixo é no lixo. Obrigada. 



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Duplicação de genes, transferência horizontal e evolução experimental

Em 2010, Michael Behe elaborou um artigo de revisão entitulado «Experimental evolution, loss-of-function mutations, and “the first rule of adaptive evolution”» (1) Acho que desta vez o Michael Behe fez um bom trabalho e mereceu a publicação do artigo e as observações positivas de um dos autores a quem este fez uma revisão do trabalho publicado. Jim Bull é autor de uma data de estudos no campo da evolução experimental. Este escreveu um comentário (*) sobre a revisão de Michael Behe, pois este tinha incluído material da sua autoria. O Dr. Bull achou também que Behe se portou bem desta vez, mas acrescenta que não seria de esperar a evolução de mais novidades do modo como os estudos eram realizados. Por exemplo, sabemos que trocas de genes entre várias espécies de bactérias são uma óptima maneira para o genoma adquirir novos genes e funções (por exemplo, multi-resistência aos antibióticos), sendo que um dos melhores meios para isso são os bacteriófagos (vírus que atacam bactérias), no entanto não houve oportunidade para isso durante as experiências que foram realizadas.
O Dr. Bull focou que um dos seus estudos no campo da evolução experimental apoia a hipótese de que uma duplicação genética pode dar origem a 2 genes diferentes devido a mutações, embora as condições que favorecem a manutenção de duas cópias submetidas a divergência evolutiva sejam delicadas. Um dos genes mantém normalmente a sua função original e o outro transforma-se num novo gene.
É claro que o campo da evolução experimental e molecular precisa de ser desenvolvido, e o artigo de revisão do Michael Behe veio alertar para isso mesmo.



Ref.:


1. «Experimental evolution, loss-of-function mutations, and “the first rule of adaptive evolution”», M. J. Behe, The Quarterly Review of Biology, December 2010, Vol. 85, No. 4 (disponível aqui: http://www.lehigh.edu/~inbios/pdf/Behe/QRB_paper.pdf)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Rótulos

Não gosto de rótulos, sobretudo se estes nada significam por não fazerem sentido. E, para mim pessoalmente, rotular uma criança é das piores coisas que podem ser feitas. E é tão errado rotular uma criança de burra porque tirou negativa num trabalho como rotular uma criança de cristã porque os pais ou alguém próximo – como uma madrinha ou padrinho são cristãos e levam a criança á igreja. Não faz sentido. Eu acho que pode ser até prejudicial para o desenvolvimento da identidade social da criança, reflectindo-se no futuro. Enquanto pré-adolescente, por exemplo, a criança pode sentir que não pode mudar de ideias (ex.: não pode entrar num templo budista nem explorar o budismo ou qualquer outra religião, nem identificar-se com mais nenhuma) porque é um menino ou uma menina cristã. Situações semelhantes e que podem ter consequências semelhantes é rotular uma criança como adepta de um certo clube desportivo, ou de um certo partido político só porque o pai é (e isto eu já observei várias vezes).
Muitas vezes nem já adolescentes as pessoas se conseguem libertar desses rótulos que lhes colam quando são crianças. Isso aconteceu com um colega meu quando eu ainda estava no secundário. Ele nem sabia no que acreditar, mas não conseguia largar o rótulo de “católico”, por isso acrescentou mais duas palavras ao rótulo e ficou “católico não praticante”. Isso é horrível.
É por estas coisas que detesto quando leio coisas destas: «A década de 1990, para uma criança brasileira, evangélica, de criação pentecostal e pais cristãos era bem diferente dessa década de 2000-2011 retirando-se as variáveis anteriores.» (1) Uma criança (de 7, 8, 9 ou mesmo 10 anos) não percebe o suficiente para adoptar uma religião conscientemente. Dizer que uma criança é cristã evangélica ou católica ou muçulmana não faz sentido. Uma criança vai à igreja porque os adultos (pai, mãe, madrinha ou outros) querem que elas vão. Muitas vezes as crianças nem querem ir e vão na mesma. Por exemplo: a minha madrinha convenceu a minha mãe a baptizar-me e a levar-me durante algum tempo (pouco) à catequese. Será que eu com 7 e 8 anos adoptei a religião católica conscientemente? É claro que não. Aliás, eu era mais convicta até na existência do Pai Natal (e nessa altura já nem era muito) do que na existência de deus, ou pelo menos daquilo que eu entendia por deus nessa altura (algo como um homem no céu que ouvia – ou era suposto ouvir orações). Para ser franca, nem sequer pensava nisso praticamente (como a maioria das crianças não pensa).
Ainda como exemplo: o meu primo de 10 anos vai á mesquita e ao equivalente á catequese católica (mas para filhos de muçulmanos) porque o pai é muçulmano (pelo menos em termos culturais, se não em termos de crenças) e quer que ele vá – e não porque é um crente fervoroso em Alá e Maomé nem por ter feito a escolha consciente de seguir aquela religião.


É feio rotular crianças. A sério. 

Ref.:

William Lane Craig: Um tiro no pé

Querem ver um tiro certeiro no pé? Leiam o que aconteceu ao filósofo cristão William Lane Craig (1). Ao tentar desesperadamente salvar o argumento cosmológico de Kalam, o William Lane Craig dá um tiro no próprio pé (deve ter doído!), pois destrói o completamente o cenário que montou relativamente à necessidade da existência de uma causa sobrenatural (deus), pois a causa do universo, se de facto (como ele defende) existiu uma, pode ser uma causa natural do mesmo tipo que ele sugere que são as causas dos eventos quânticos que, pelo menos aparentemente, não têm causa - uma causa que não é pré-determinada, que aumenta a probabilidade do acontecimento e que pode muito bem ser uma causa natural, como em todos os casos que temos observado até hoje. É o próprio Craig que chama a atenção para isto na sua ânsia de salvar o estúpido argumento cosmológico.
Não me parece que existam evidências daquilo que o Craig sugere, mas de qualquer modo é um tiro no pé. E, de qualquer modo, a segunda premissa é falsa, pelos motivos anteriormente referidos (noutro texto sobre o argumento cosmológico).



Ref.:

1. «William Lane Craig - Why the Kalam Cosmological argument fails» (RationalWiki) 

domingo, 22 de setembro de 2013

Para os criacionistas não há limite de estupidez

Descobri mais um argumento criacionista muuuito estúpido. Tipicamente, o criacionista acredita que a evolução teve o objectivo de produzir algo como uma obra completa de Shakespeare e ignora completamente a selecção natural e o número de tentativas (simultâneas) ao construir um estúpido argumento de cariz probabilístico, que era exactamente isto: «(...) if evolution were true, then we are to believe a whole series of complex sequences managed to get everything right – repeatedly. To use a clichéd example: It would be like a monkey typing at random and coming out with the complete works of Shakespeare without any errors.» (1).

Ref.:

1. "EXPLAINING 'DARWIN'S DOUBT", Jerry Newcombe, 07/23/2013 (disponível aqui: http://www.wnd.com/2013/07/explaining-darwins-doubt/)

Nota: Para quem quiser rir-se um pouco, aqui fica um texto que fala desse estúpido argumento e de outras parvoíces do mesmo criacionista: "WND Offers Supremely Dumb Creationist Argument" (http://freethoughtblogs.com/dispatches/2013/07/26/wnd-offers-supremely-dumb-creatinist-argument/)